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Alta nos custos e otimismo na arroba revelam novo ciclo para confinamento em 2025

Apesar da pressão inflacionária sobre os insumos, estimativas indicam lucratividade superior a R$ 800 por cabeça, impulsionando a intenção de confinamento no país
Por Equipe Feed&Food
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Em março de 2025, o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) voltou a subir, sinalizando um novo equilíbrio na engorda intensiva: custos mais altos, mas também um cenário de valorização da arroba que sustenta a atratividade do confinamento. Na região Centro-Oeste, o índice chegou a R$ 13,91, com alta de 1,16% em relação a fevereiro. No Sudeste, o avanço foi ainda mais expressivo: 5,07%, alcançando R$ 13,27.

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A elevação surpreendeu analistas, especialmente após a queda registrada em fevereiro – interpretada à época como um reflexo da antecipação da nova safra 2024/25. No entanto, a realidade se revelou mais complexa. Mesmo com previsão de produção recorde de grãos, os preços dos principais ingredientes da dieta de terminação seguem em alta, impulsionados por estoques apertados e demanda aquecida, tanto interna quanto externa.

Centro-Oeste: subprodutos pressionados

No Centro-Oeste, o custo por tonelada de matéria seca da dieta de terminação – a mais onerosa do ciclo produtivo – atingiu R$ 1.275,39. Os maiores aumentos ocorreram entre os alimentos energéticos, como a casca de soja (+10,76%) e o milho grão seco (+4,80%). O milho, inclusive, elevou os preços de subprodutos do etanol como o WDG (+6,93%) e DDG (+4,78%). Já entre os alimentos proteicos, os destaques de alta foram a torta de algodão (+13,27%) e o caroço de algodão (+4,19%).

Sudeste: proteína mais cara impacta ICAP

No Sudeste, o custo da tonelada de matéria seca ficou em R$ 1.263,51. O aumento foi puxado sobretudo pelos insumos proteicos (+11,21%) e energéticos (+6,62%). Sorgo grão seco (+10,51%), casca de soja (+9,15%) e milho grão seco (+8,00%) apresentaram as maiores variações no mês.

Elevação surpreende analistas, especialmente após a queda registrada em fevereiro (Foto: Reprodução)

Desafios persistem, mas lucro também

Na comparação anual, o custo nutricional caiu 8,43% no Centro-Oeste, mas subiu 1,45% no Sudeste. O milho rompeu a barreira dos R$ 90/saca – o maior valor nominal dos últimos três anos. Apesar disso, o mercado do boi gordo segue firme. A arroba ultrapassou os R$ 324 em São Paulo, com viés de alta para agosto (R$ 334,45 na B3), o que estimula os pecuaristas a intensificarem seus sistemas.

Estimativas indicam que a intenção de confinamento cresceu 18% em 2025, com projeções de mais de 8 milhões de cabeças em regime intensivo. Considerando os dados médios de clientes da Ponta Agro, os custos estimados por arroba produzida são de R$ 204,13 (Centro-Oeste) e R$ 210,64 (Sudeste). Nesse cenário, a lucratividade pode ultrapassar R$ 820 por cabeça, apenas com o preço de balcão – sem considerar bonificações.

Bonificações podem ampliar margens

Para além da eficiência produtiva, o caminho para ampliar margens passa também pelas bonificações oferecidas pelos frigoríficos. O Boi China, por exemplo, paga entre R$ 5 e R$ 7,50 a mais por arroba, dependendo da região e da adesão a protocolos de qualidade, rastreabilidade e bem-estar animal.

Março marca, portanto, um novo momento no ciclo da pecuária intensiva brasileira: a gestão de custos continua sendo um desafio, mas o ambiente de preços e mercado traz boas perspectivas para quem souber equilibrar eficiência e estratégia comercial.

Fonte: ICAP, adaptado pela equipe FeedFood

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