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Alongamento de dívida rural: direitos e implicações para o agronegócio

Advogado afirma que ausência de negociação prévia e a negativação indevida podem gerar danos ao acesso a novos financiamentos

O alongamento da dívida rural é uma ferramenta importante para produtores enfrentarem desafios financeiros decorrentes de adversidades climáticas e econômicas. Para Marco Túlio Elias Alves, advogado e doutor em Direito, este recurso é fundamental para a sustentabilidade do agronegócio, pois, a medida possibilita a renegociação de débitos com ampliação dos prazos de pagamento e está prevista no Manual de Crédito Rural (MCR), mas exige o cumprimento de requisitos específicos.

Entre as condições para acessar esse direito estão a solicitação prévia à instituição financeira e a comprovação de que a prorrogação é indispensável para a viabilidade econômica da propriedade rural. Casos recentes, como o julgamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que suspendeu a execução de uma dívida enquanto o pedido de alongamento era analisado, reforçam a necessidade de respeitar essas diretrizes. Na decisão, ficou claro que execuções precipitadas podem comprometer a atividade agrícola e gerar impactos irreversíveis.

Para Marco Túlio, decisões como essa asseguram o equilíbrio entre credores e produtores, além de proteger o princípio da função social da propriedade rural. “As normas do MCR e a jurisprudência recente oferecem segurança jurídica para que o crédito rural seja uma ferramenta de desenvolvimento, e não um entrave”, explica o advogado. Ele enfatiza ainda que a ausência de negociação prévia e a negativação indevida podem gerar danos ao acesso a novos financiamentos, dificultando a recuperação financeira dos produtores.

Medida possibilita a renegociação de débitos com ampliação dos prazos de pagamento (Foto: Reprodução)

O debate sobre o alongamento da dívida rural evidencia sua relevância como instrumento de preservação da atividade agrícola e da estabilidade do agronegócio. Além disso, mostra que o alinhamento entre Poder Judiciário, instituições financeiras e produtores é essencial para garantir que o crédito rural funcione como um vetor de desenvolvimento sustentável, especialmente em cenários de incerteza econômica.

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