A busca por maior eficiência no uso da água tem levado agroindústrias a intensificarem investimentos em gestão hídrica dentro das plantas industriais, com impacto direto na sustentabilidade e na eficiência da produção de proteína animal no Brasil.
Iniciativas voltadas ao reúso de água, tratamento de efluentes e redução de desperdícios vêm ganhando espaço e redefinindo padrões ambientais no setor, com aplicações práticas nas operações industriais.
Na Aurora Coop, a gestão hídrica é conduzida de forma contínua, com foco em eficiência operacional e controle ambiental. Segundo Luciana Frassetto de Campos Breda, coordenadora de Sustentabilidade da cooperativa, o avanço nesse campo envolve um conjunto de ações integradas.
“A Aurora Coop vem adotando, de forma contínua, diversas práticas voltadas à redução do consumo de água e ao aprimoramento da gestão desse recurso em suas plantas industriais”, afirma.
Eficiência hídrica passa por processos e tecnologia
De acordo com a executiva, entre as principais iniciativas estão a manutenção preventiva e corretiva de equipamentos, com foco na prevenção de perdas e vazamentos, além da automação de processos por meio de sensores e acionadores automáticos. “Essas ações contribuem para um uso mais racional da água nos processos produtivos”, destaca.
“A cooperativa também realiza o controle sistemático da renovação e da troca de água, adota práticas de reúso interno para fins não potáveis e opera estações de tratamento voltadas ao reaproveitamento da água”, acrescenta.
A estratégia inclui ainda iniciativas de captação e tratamento de água da chuva, aplicadas conforme a viabilidade técnica e operacional de cada unidade industrial.
Reúso e tratamento ganham protagonismo nas operações
O tratamento de efluentes é outro pilar central da gestão hídrica nas agroindústrias. Na Aurora Coop, todas as unidades contam com sistemas dedicados a esse processo, garantindo que a água utilizada seja tratada e devolvida ao meio ambiente dentro dos padrões exigidos.
“A gestão da água é conduzida como um tema estratégico de controle ambiental, conformidade regulatória e aprimoramento progressivo das práticas operacionais”, afirma Luciana. Segundo ela, os investimentos na modernização dos sistemas têm ampliado o potencial de reúso.
“O reúso é aplicado de maneira criteriosa, exclusivamente em atividades e processos não potáveis e sem qualquer contato com o produto”, explica.

Resultados e indicadores mostram avanço gradual
Os ganhos em eficiência hídrica já começam a aparecer em indicadores operacionais. Em 2024, as unidades da Aurora Coop captaram e trataram cerca de 81,6 mil metros cúbicos de água da chuva, além de ampliarem práticas de reúso interno.
Projetos de melhoria de processos também contribuíram para a redução do volume de água captada, com reconhecimento externo por meio do Prêmio Expressão de Ecologia, na categoria Conservação da Água.
“Esses resultados fazem parte de um processo contínuo de fortalecimento da gestão hídrica, que envolve o acompanhamento de indicadores e a evolução gradual das práticas”, afirma.
Escala industrial amplia impacto das iniciativas
Em paralelo, grandes grupos do setor vêm ampliando investimentos em eficiência hídrica, com iniciativas que combinam tecnologia, reaproveitamento de água e redução de impactos ambientais em larga escala.
A JBS informou que trata a gestão da água como um pilar estratégico para a eficiência produtiva e a resiliência do negócio no longo prazo.
Entre os exemplos está a operação da Seara em Rolândia (PR), que utiliza sistemas de captação de água da chuva e tecnologias como osmose reversa, capazes de economizar cerca de 200 mil litros de água por mês em processos de incubação.
Outras iniciativas incluem práticas de manejo que reduziram o desperdício hídrico em granjas, com economia de 168 litros por baia a cada ciclo, além da adoção de tecnologias industriais que reduziram em 18,5% o uso de água em processos produtivos.
No campo ambiental, programas como o Óleo Amigo também contribuem para a preservação dos recursos hídricos, evitando a contaminação de grandes volumes de água.
Gestão da água impacta produtividade e segurança operacional
Para além da redução de consumo, a gestão hídrica tem impacto direto na estabilidade das operações industriais. Segundo Luciana, o monitoramento constante e a diversificação das fontes de abastecimento ajudam a reduzir riscos e aumentar a previsibilidade produtiva.
“A gestão da água tem contribuído de forma relevante para a estabilidade operacional, o controle de riscos e a sustentabilidade das operações industriais”, afirma.
Segundo ela, essas iniciativas também impactam a previsibilidade dos processos produtivos. “Elas reduzem a exposição a interrupções operacionais e apoiam o planejamento industrial”, explica.
A executiva destaca ainda que essas práticas fortalecem a resiliência da produção diante de períodos de estiagem e permitem a manutenção ou expansão das operações sem comprometer a qualidade dos recursos hídricos.
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