A agropecuária brasileira ampliou seu volume de produção em quase 150% entre 2000 e 2025, mas passou a enfrentar financiamento mais caro e aumento da inadimplência após a pandemia. O diagnóstico consta do Texto Ocasional para Discussão nº 5, divulgado nesta sexta-feira (23) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, e assinado por Geraldo Barros e Lucilio Alves.
O avanço médio da produção foi de 3,7% ao ano, acima dos 2,3% do PIB brasileiro. A produtividade total dos fatores cresceu 92% entre 2000 e 2024 e respondeu por 82% da expansão do volume produzido. Essa eficiência compensou a alta de 35% na relação entre os preços dos insumos e dos produtos agropecuários de 2000 a 2025.
Pandemia altera cenário de custos e renda
Durante a pandemia, os preços reais da produção agropecuária subiram 72% de 2019 a 2021, e a renda avançou 84%. Depois, os preços recuaram 24% até 2025, enquanto a renda caiu 14% entre 2021 e 2024. Os insumos haviam acumulado alta de 60% entre 2019 e 2022.
A taxa média anual do crédito rural para pessoas físicas passou de 6,2% em 2020 para 12,2% em 2025. Já a relação entre dívida registrada no sistema financeiro e renda agropecuária, que era de 61% em 2020, chegou a 106% em 2024 e recuou para 94% em 2025, dentro da faixa de 86% a 109% observada antes da pandemia.

Crédito privado ganha participação
As concessões de crédito rural cresceram de R$ 251 bilhões em 2019 para R$ 446 bilhões em 2023, antes de recuar para R$ 361 bilhões em 2025, em valores corrigidos para 2025. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) responderam por R$ 125 bilhões em 2025, equivalentes a 35% das concessões.
Entre as fontes privadas, a participação de operações a taxas livres passou de 7% em 2013 para 52% em 2025. Essa mudança ampliou a exposição dos financiamentos às oscilações dos juros de mercado.
O investimento agropecuário foi estimado em R$ 260 bilhões em 2025. Desse total, 36% tiveram financiamento via crédito rural; os demais 64% vieram de recursos próprios, Cédulas de Produto Rural (CPR), fornecedores e leasing. Parte das dívidas assumidas por essas vias não aparece nas estatísticas bancárias de crédito rural.
Inadimplência atinge recorde entre pessoas físicas
A inadimplência do crédito rural entre pessoas físicas subiu de 0,8% em dezembro de 2022 para 9,7% em agosto de 2026, recorde da série do Banco Central. Entre empresas agropecuárias, estava em 3,5%, abaixo dos 5,2% do sistema financeiro. Para os autores, “o cenário de problemas de liquidez e de aumento da inadimplência na agropecuária estava desenhado”.



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