O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia poderá abrir novas oportunidades para a indústria de proteína animal de Goiás. Estudo da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) estima que a redução gradual das tarifas comerciais poderá acrescentar US$ 208 milhões por ano às exportações goianas, além de contribuir para a geração de aproximadamente 23 mil empregos.
As projeções foram apresentadas durante a 3ª Expoind – Feira de Negócios e Soluções para a Indústria Goiana, realizada entre os dias 27 e 29 de outubro, em Goiânia. O levantamento, elaborado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Fieg, identifica a cadeia de carnes bovina e de frango entre os segmentos com maior potencial de expansão no comércio internacional.
Um dos destaques é o mercado de aves inteiras congeladas. Segundo o estudo, Goiás poderá alcançar US$ 8,85 milhões anuais em exportações adicionais desse produto após quatro anos de redução tarifária. Atualmente, o estado não exporta essa categoria para a União Europeia, apesar da demanda identificada em mercados como Espanha, França e Alemanha.
A perspectiva é de que a abertura comercial amplie o acesso da produção goiana a consumidores europeus, criando oportunidades para frigoríficos e empresas ligadas à cadeia produtiva de proteína animal.
Para o analista de desenvolvimento industrial da Fieg e responsável pelo estudo, Saulo Nogueira, o saldo tende a ser favorável à economia goiana, especialmente pela possibilidade de ampliar as vendas para consumidores europeus. “O acordo como um todo, será mais positivo para Goiás do que negativo, porque abre um mercado enorme, com milhões de consumidores com um poder aquisitivo elevado. São novas fronteiras para as nossas exportações”, destacou.

Redução de tarifas pode impulsionar a agroindústria
O estudo da Fieg analisou 40 produtos de 12 subsetores industriais, que representam 99% das exportações consideradas no levantamento. Além das carnes bovina e de frango, estão entre os segmentos com potencial de crescimento açúcar, etanol, couro, alimentos e produtos químicos.
De acordo com a entidade, o aumento das exportações poderá estimular toda a cadeia produtiva, com maior demanda por matérias-primas, fornecedores, serviços e mão de obra. A ampliação da produção industrial também poderá favorecer investimentos e a geração de empregos.
As oportunidades, entretanto, serão construídas gradualmente, conforme o cronograma de redução das tarifas previsto no acordo. Para aproveitar os benefícios, as empresas precisarão ampliar sua capacidade produtiva e atender às exigências comerciais, técnicas e sanitárias do mercado europeu.
Exigências sanitárias e competitividade são desafios
Apesar das perspectivas positivas, a Fieg destaca que a abertura comercial também exigirá preparação das indústrias goianas. Entre os principais desafios estão a adequação às normas sanitárias e ambientais europeias, o cumprimento das regras de origem e a adaptação dos produtos às exigências dos mercados de destino.
A gerente de internacionalização da Fieg, Juliana Tormin, avalia que o acordo poderá estimular empresas que ainda não exportam a buscar compradores internacionais e incentivar aquelas que já atuam no exterior a diversificar seus mercados.
Além das oportunidades de exportação, a redução das tarifas de importação poderá facilitar o acesso da indústria a máquinas, equipamentos, tecnologias e insumos europeus, contribuindo para a modernização dos processos produtivos e o aumento da competitividade.
Fieg prepara programa de internacionalização
Para apoiar as empresas interessadas em acessar o mercado internacional, a Fieg prepara o lançamento de um programa de internacionalização, previsto para novembro. A iniciativa deverá reunir capacitações, consultorias, estudos de mercado, missões comerciais e rodadas de negócios.
A proposta é oferecer suporte conforme o estágio de cada empresa no comércio exterior, desde aquelas que ainda não exportam até as que já possuem atuação internacional.
Para o setor de proteína animal, a iniciativa poderá representar um apoio adicional na identificação de oportunidades comerciais e na preparação das empresas para atender às exigências do mercado europeu.
O estudo também prevê o acompanhamento dos impactos do acordo e dos possíveis obstáculos enfrentados pelas indústrias durante sua implementação.



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