A conclusão do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) foi anunciada durante a Cúpula do Mercosul, realizada em Buenos Aires, nesta quarta-feira (2 de julho). A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera o acordo um avanço estratégico para a inserção da indústria brasileira no comércio internacional, especialmente pela possibilidade de acesso a um mercado de alto poder aquisitivo.
Formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, a EFTA representa um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,4 trilhão e possui um dos maiores PIBs per capita do mundo, em torno de US$ 119 mil. O bloco é também a quarta maior origem mundial de investimentos estrangeiros. Em 2024, as exportações brasileiras para a EFTA somaram US$ 3,1 bilhões e resultaram em 19,8 mil empregos, R$ 448,7 milhões em massa salarial e R$ 3,4 bilhões em produção industrial.
O acordo prevê a eliminação imediata de tarifas de importação para bens industriais por parte da EFTA, além da ampliação de cotas para produtos da agroindústria. Também estão contemplados mecanismos de facilitação comercial, como simplificação aduaneira e redução de barreiras técnicas. A CNI destaca que foram negociados prazos de até 15 anos para redução de tarifas em setores mais sensíveis à concorrência europeia.
Nos temas de compras públicas e propriedade intelectual, o acordo respeita os marcos regulatórios nacionais. Para a CNI, isso garante a preservação de políticas públicas essenciais para o desenvolvimento econômico e social. “A conclusão de acordos comerciais modernos com parceiros estratégicos, como a União Europeia e agora com a EFTA, representa um marco na agenda de inserção internacional da indústria brasileira”, afirma a gerente de comércio e integração internacional da CNI, Constanza Negri.

A relação entre Brasil e EFTA também avança no campo dos investimentos e dos serviços. Em 2023, o estoque de investimentos da EFTA no Brasil alcançou US$ 46,2 bilhões – um aumento de 135,3% em comparação a 2014. O fluxo inverso também cresceu, com investimentos brasileiros no bloco totalizando US$ 11,7 bilhões. No setor de serviços, a EFTA é o terceiro principal parceiro do Brasil, com um comércio bilateral que atingiu US$ 3,1 bilhões em 2024.
O estudo da CNI aponta ainda 724 oportunidades comerciais para o Brasil exportar 495 produtos à EFTA, sendo mais de 80% provenientes da indústria de transformação. Alimentos, produtos químicos, máquinas e equipamentos, metalurgia e produtos de metal estão entre os segmentos com maior potencial.
Fonte: CNI, adaptado pela equipe FeedFood
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