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Abate de frango cresce 4,5% e exportações batem recorde no quadrimestre

Setor registra recuperação nos preços em abril, melhora nas margens e maior volume exportado da série histórica para o período, segundo dados de mercado

O mercado brasileiro de carne de frango registrou recuperação em abril, movimento que se estendeu ao início de maio após a queda observada no começo do ano. Em São Paulo, o preço da ave abatida chegou a R$ 7,60/kg em 8 de maio, alta de 5% desde o início de abril.

Na média mensal, a valorização foi de 3,8% frente a março, contribuindo para uma leve melhora das margens da atividade. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o spread da avicultura passou de 32% para 35% no período, considerando estabilidade nos custos de produção.

Produção avança no trimestre

Do lado da produção, dados preliminares apontam crescimento de 4,5% no abate de frangos no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do avanço anual, os números indicam desaceleração do ritmo de expansão ao longo de abril.

No comparativo com outras proteínas, o frango segue competitivo em relação à carne bovina. A relação de preços com o dianteiro bovino indica necessidade de 3,15 kg de frango para equivaler a 1 kg da carcaça dianteira, acima da média histórica de 2,32 kg. Frente à carne suína, porém, a competitividade perdeu força no período recente, em razão da queda mais acentuada nos preços do suíno.

Exportações atingem recorde histórico

As exportações brasileiras de carne de frango também registraram desempenho positivo no primeiro quadrimestre de 2026. Segundo dados do Cepea, com base na série histórica da Secex iniciada em 1997, o Brasil embarcou 1,94 milhão de toneladas entre janeiro e abril, maior volume já registrado para o período.

O resultado superou o recorde anterior, de 1,93 milhão de toneladas, observado no último quadrimestre de 2025. Somente em abril, os embarques somaram 486,5 mil toneladas, o maior volume já registrado para o mês em toda a série histórica.

Abate de frango avança no primeiro trimestre, enquanto exportações alcançam recorde no quadrimestre Crédito: Reprodução

Abril tem queda mensal, mas supera 2025

Apesar do recorde para abril, os embarques do mês recuaram 3,5% em relação a março. Ainda assim, ficaram 2,2% acima do volume registrado em abril do ano passado, mantendo o setor em ritmo positivo no comércio exterior.

Outro levantamento citado no release aponta embarques de 472 mil toneladas de carnes in natura e industrializadas em abril, queda de 3,7% frente a março, mas alta de 2% na comparação com abril de 2025. No acumulado do ano, as exportações avançaram 4,5% em relação ao período de janeiro a abril de 2025.

Oriente Médio reduz compras

O desempenho das exportações foi impactado pela retração de 10% nas vendas ao Oriente Médio, com queda em mercados como Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait, Iêmen e Jordânia. O movimento foi associado a dificuldades logísticas e restrições na região.

Parte desse recuo foi compensada pelo aumento das compras da Arábia Saudita e pela maior demanda de países como Japão, África do Sul, Filipinas e Holanda. O comportamento mostra a importância da diversificação de destinos para sustentar o ritmo dos embarques brasileiros.

Preços podem perder força

No mercado interno, o Cepea aponta que a combinação de demanda aquecida e oferta mais restrita em algumas regiões manteve os preços da carne de frango em alta por mais uma semana. Para a segunda quinzena de maio, agentes consultados avaliam que a valorização pode perder intensidade, diante da redução do poder de compra da população no fim do mês.

Ainda assim, parte do mercado acredita que pode haver espaço para pequenos reajustes positivos, a depender das condições de oferta e demanda em cada região. Para a avicultura, o equilíbrio entre produção, consumo interno e exportações seguirá determinante para o comportamento das cotações nas próximas semanas.

Fonte: Agro Itaú BBA e Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food

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