Durante a celebração dos 40 anos do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), realizada em Campinas (SP), o presidente da Sindirações, Roberto Betancourt, apresentou a palestra “A Situação da Nutrição Animal Global”, na qual destacou tendências, desafios e oportunidades para o setor. O encontro ocorreu no Hotel Nacional Inn e reuniu pesquisadores, empresas, representantes de entidades e profissionais da cadeia de alimentação animal.
Betancourt chamou atenção para a relevância crescente dos biocombustíveis, especialmente na produção de grãos e na oferta de DDG (grão seco por destilação). Segundo ele, apenas em 2026 o Brasil deverá produzir cerca de cinco milhões de toneladas de DDG, impulsionando o acabamento de bovinos, a eficiência dos confinamentos e fortalecendo a integração entre agricultura, etanol de milho e nutrição animal. “O DDG é essencial para a conta do etanol de milho. A intensificação da pecuária passa diretamente pela sua disponibilidade”, afirmou.
O presidente da Sindirações também destacou que a nutrição animal brasileira não apresenta fragilidades estruturais e que, ao contrário, está mais preparada para absorver novos ingredientes e tecnologias do que muitos mercados internacionais. Ele reforçou ainda que a parceria comercial entre Brasil e China segue sólida e baseada em pragmatismo: “Eles precisam do Brasil e nós precisamos deles”, disse ao comentar a segurança comercial, a oferta de farelo de soja e o papel do país na estabilização dos preços globais de alimentos.

Outro ponto central da palestra foi o avanço da biosseguridade e o risco sanitário da importação de tilápia de países onde há casos de TiLV. Segundo ele, decisões políticas equivocadas podem colocar em risco o status sanitário da piscicultura brasileira. Betancourt citou ainda a compartimentarização como estratégia para evitar bloqueios totais em caso de ocorrência de doenças em regiões específicas modelo que já conta com apoio técnico internacional.
O palestrante ressaltou também a “revolução dos bioinsumos” na agricultura, setor que cresce aceleradamente no Brasil e fortalece a produção animal com ingredientes de menor custo, menor pegada de carbono e menos contaminantes. Ele lembrou que o país já é líder global em bioinsumos e que investimentos privados, como o da Agroceres em novas plantas industriais, ajudam a consolidar esse avanço. “Quanto mais forte a agricultura, melhor para a nutrição e para a produção animal”, reforçou.
Encerrando sua fala, Betancourt destacou que a nutrição animal é parte da solução para os desafios globais, citando a bioeconomia circular, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e o uso de coprodutos da agroindústria como pilares de eficiência e sustentabilidade. Para ele, com universidades fortes, centros de pesquisa ativos e um agronegócio cada vez mais tecnológico, “o Brasil tem potencial gigantesco para continuar avançando”.
Fonte: CBNA, adaptado pela equipe Feed&Food.
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