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Whey protein ganha espaço e desafia indústria de lácteos, aponta Milk Summit

Encontro em Ijuí (RS) debate mudanças no consumo, aproveitamento do soro do leite e oportunidades para produtos com maior valor agregado.

A busca por alimentos com maior teor de proteína e a mudança no perfil dos consumidores estão influenciando as estratégias da indústria de laticínios. O tema foi debatido no Milk Summit Mercosul, realizado em 14 e 15 de outubro, no Parque de Exposições Wanderley Burmann, em Ijuí (RS), com representantes da produção, da indústria e da pesquisa.

Para Paulo Martins, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, o ingresso da geração Z no mercado consumidor ajuda a explicar o interesse crescente por whey protein e alimentos enriquecidos com proteínas do soro do leite. Segundo ele, as novas preferências exigem mudanças no desenvolvimento e na comercialização dos derivados.

Do soro a produtos de maior valor

Subproduto obtido na fabricação de queijos, o soro do leite passou a ser aproveitado em ingredientes e formulações proteicas. Martins recordou essa transformação durante o encontro: “Na década de 1990, o whey era um problema para os laticínios, que não sabiam como aproveitar esse subproduto.”

A mudança também amplia as exigências sobre a indústria. Na avaliação do pesquisador, “O consumidor está mais exigente, e quem não compreender que ele busca características específicas nos produtos terá dificuldades para continuar vendendo”.

Paulo Martins, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, destacou durante o Milk Summit Mercosul 2026, em Ijuí (RS), como as mudanças no perfil dos consumidores e a crescente procura por alimentos ricos em proteína estão impulsionando a valorização do whey protein e a inovação na indústria de laticínios. Crédito: Reprodução

Valter Galan, sócio da MilkPoint Ventures, avaliou que desenvolver produtos com maior valor agregado pode reduzir a dependência das commodities lácteas. Sobre o interesse por suplementos proteicos, observou: “Foi um movimento que começou lá com o pessoal da academia, mas hoje é muito mais do que isso”.

Importações e concorrência no setor

O mercado de ingredientes proteicos também movimenta o comércio exterior. Segundo levantamento do MilkPoint Mercado, com dados do Comex Stat, o Brasil importou 586 toneladas de concentrado proteico de soro de leite em setembro, volume 7,2% superior ao de agosto. O avanço das compras externas, isoladamente, não permite medir a evolução do consumo nacional.

No conjunto dos lácteos, as importações brasileiras chegaram a 243 milhões de litros em equivalente-leite em setembro, contra 5,4 milhões de litros exportados. O déficit comercial reforça a concorrência enfrentada pela cadeia, mesmo diante das oportunidades de diferenciação dos produtos.

Desafios para produtores e laticínios

A programação do Milk Summit também abordou qualidade do leite, eficiência produtiva e competitividade. A abertura, na quarta-feira (14), reuniu mais de 700 participantes, segundo a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.

Para transformar a procura por proteínas em resultados, o setor ainda depende de investimentos em processamento, acesso a mercados e capacidade de oferecer produtos ajustados às preferências dos consumidores.

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