A busca por alimentos com maior teor de proteína e a mudança no perfil dos consumidores estão influenciando as estratégias da indústria de laticínios. O tema foi debatido no Milk Summit Mercosul, realizado em 14 e 15 de outubro, no Parque de Exposições Wanderley Burmann, em Ijuí (RS), com representantes da produção, da indústria e da pesquisa.
Para Paulo Martins, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, o ingresso da geração Z no mercado consumidor ajuda a explicar o interesse crescente por whey protein e alimentos enriquecidos com proteínas do soro do leite. Segundo ele, as novas preferências exigem mudanças no desenvolvimento e na comercialização dos derivados.
Do soro a produtos de maior valor
Subproduto obtido na fabricação de queijos, o soro do leite passou a ser aproveitado em ingredientes e formulações proteicas. Martins recordou essa transformação durante o encontro: “Na década de 1990, o whey era um problema para os laticínios, que não sabiam como aproveitar esse subproduto.”
A mudança também amplia as exigências sobre a indústria. Na avaliação do pesquisador, “O consumidor está mais exigente, e quem não compreender que ele busca características específicas nos produtos terá dificuldades para continuar vendendo”.

Valter Galan, sócio da MilkPoint Ventures, avaliou que desenvolver produtos com maior valor agregado pode reduzir a dependência das commodities lácteas. Sobre o interesse por suplementos proteicos, observou: “Foi um movimento que começou lá com o pessoal da academia, mas hoje é muito mais do que isso”.
Importações e concorrência no setor
O mercado de ingredientes proteicos também movimenta o comércio exterior. Segundo levantamento do MilkPoint Mercado, com dados do Comex Stat, o Brasil importou 586 toneladas de concentrado proteico de soro de leite em setembro, volume 7,2% superior ao de agosto. O avanço das compras externas, isoladamente, não permite medir a evolução do consumo nacional.
No conjunto dos lácteos, as importações brasileiras chegaram a 243 milhões de litros em equivalente-leite em setembro, contra 5,4 milhões de litros exportados. O déficit comercial reforça a concorrência enfrentada pela cadeia, mesmo diante das oportunidades de diferenciação dos produtos.
Desafios para produtores e laticínios
A programação do Milk Summit também abordou qualidade do leite, eficiência produtiva e competitividade. A abertura, na quarta-feira (14), reuniu mais de 700 participantes, segundo a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.
Para transformar a procura por proteínas em resultados, o setor ainda depende de investimentos em processamento, acesso a mercados e capacidade de oferecer produtos ajustados às preferências dos consumidores.



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