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Uso de Antioxidantes Químicos em Alimentação Animal

Por I Ulisses Rogerio Toccheton de Moraes, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento na ADM

O uso do BHT (butil-hidroxi-tolueno) e o do BHA (butil-hidroxi-anisol) em nutrição animal é uma ferramenta fundamental para o controle da oxidação lipídica, especialmente em rações com gordura ou ingredientes ricos em ácidos graxos insaturados.

O objetivo primário do uso dos antioxidantes é conservar as características originais e desejáveis dos alimentos, sejam ingrediente ou alimento completo, evitando ou reduzindo a formação de compostos secundários da oxidação lipídica, que são os verdadeiros vilões em termos de toxicidade, perda nutricional e palatabilidade.

As características preservadas vão desde o paladar e o aroma, mantendo a atratividade do alimento, até a prevenção de degradações mais severas, preservando suas características nutricionais, como proteínas e aminoácidos.

Características dos antioxidantes:

  • BHT e BHA são antioxidantes sintéticos lipofílicos;
  • Atuam interrompendo a cadeia de reações de oxidação dos lipídios, especialmente os insaturados;
  • Auxiliam a preservar vitaminas lipossolúveis (como vitaminas A e E) e a evitar formação de compostos tóxicos derivados da oxidação (como peróxidos e aldeídos);
  • Aumentam a vida útil da ração e melhoram a palatabilidade, evitando odores desagradáveis causados pela oxidação.

Explicando a oxidação lipídica em etapas:

A oxidação lipídica ocorre por três etapas principais. O objetivo primário é evitar a iniciação do processo, pois uma vez iniciado ele tende a se autoalimentar até completar o ciclo.

  1. Iniciação: formação de radicais livres nos ácidos graxos insaturados.
  2. Propagação: esses radicais reagem com o oxigênio, formando peróxidos lipídicos (compostos primários).
  3. Terminação: os peróxidos se degradam em compostos secundários, como aldeídos, cetonas, ácidos voláteis, hidrocarbonetos, etc.

Como os antioxidantes agem:

O modo de ação desses compostos é pela doação de hidrogênios para neutralizar radicais livres. Isso interrompe a propagação da oxidação e evita que compostos primários se convertam em compostos secundários.

Importância de evitar a formação dos compostos secundários:

Compostos secundários são os produtos finais da degradação dos lipídios oxidados e são os principais responsáveis pelos danos à saúde, pela perda de qualidade da ração e pela queda no desempenho dos animais. Eles causam odor e paladar desagradáveis (ranço), são tóxicos quando acumulados em concentrações elevadas, podem danificar células, proteínas e até mesmo o DNA. Além disso, estão relacionados a problemas digestivos, inflamações, perda de desempenho e toxicidade hepática em animais.

Compostos secundários mais comuns e seus impactos:

  • Malondialdeído (MDA): tóxico, reage com proteínas e DNA, e é usado como marcador de oxidação ( teste TBARS);
  • Hexanal: composto volátil que contribui para o ranço e altera o aroma da ração;
  • 4-hidroxinonenal (4-HNE): altamente reativo, pode ser tóxico em níveis baixos;
  • Aldeídos e cetonas voláteis: afetam a palatabilidade e comprometem segurança alimentar.

Vantagens práticas de evitar compostos secundários:

  • Melhor conservação das gorduras e vitaminas;
  • Menor risco de efeitos tóxicos crônicos nos animais;
  • Preservação da palatabilidade e da ingestão de ração;
  • Maior estabilidade da ração em armazenamento;
  • Redução do risco de reações de Maillard indesejadas e da formação de aminas tóxicas.

Os compostos secundários da oxidação lipídica são altamente reativos e, mesmo em pequenas quantidades, podem causar os seguintes danos aos animais:

  • Reagem com proteínas e DNA, levando a efeitos genotóxicos e citotóxicos;
  • Aumentam o estresse oxidativo crônico, gerando inflamações;
  • Diminuiem o desempenho zootécnico, devido à queda no consumo e à sobrecarga hepática;
  • Alteram o sistema imunológico, aumentando susceptibilidade a infecções;
  • Em longo prazo, podem estar ligados à carcinogênese, bem como a disfunções hepáticas e reprodutivas.

Linhas de produtos antioxidantes químicos da ADM Nutrição Animal:

Oferecemos uma linha de produtos com o objetivo de entregar aos nossos clientes consistência no controle da oxidação lipídica, desde premix, concentrados, ingredientes que compõem as dietas até o alimento completo.

Contamos com uma combinação de várias concentrações de princípios ativos e apresentações – líquida ou em pó – que permitem uma abordagem objetiva e com racionalizada dos custos no uso desses produtos.

Globalmente, temos várias áreas atuando neste segmento e um centro de desenvolvimento local  permite a nossa estratégia de flexibilidade. Desenvolvemos soluções específicas para casos que necessitem dessa abordagem, gerando valor na resolução dos problemas dos nossos clientes.

Linha de Antioxidantes ADMProdutos
AT 20 e AT 30 – Composto antioxidante com BHT e BHA na forma líquida.BP PROTECT AT30BP PROTECT AT20
AT 20 DRY – Composto antioxidante com BHT e BHA na forma BP PROTECT AT 20 DRY
LINHA PLUS Composto antioxidante com BHT e BHA com quelantes nas formas líquida e póBP PROTECT AT 18 DRY PLUSBP PROTECT AT 20 PLUS

Referências Bibliográficas:

Wenwei Hu. et. Al (2002). The major lipid peroxidation product, trans-4-hydroxy-2-nonenal, preferentially forms DNA adducts at codon 249 of human p53 gene, a unique mutational hotspot in hepatocellular carcinoma. PMID: 12419825

Fung-Lung Chung. et al. (2000). Deoxyguanosine Adducts of t-4-Hydroxy-2-nonenal Are Endogenous DNA Lesions in Rodents and Humans: Detection and Potential Sources. Cancer Res (2000) 60 (6): 1507–1511.

Marnett, L J (1999). Chemistry and biology of DNA damage by malondialdehyde. IARC Sci Publ. 1999;(150):17-27. PMID: 10064852

Marnett, L J (1999). Lipid peroxidation-DNA damage by malondialdehyde. Mutat Res. 1999 Mar 8;424(1-2):83-95. PMID: 10626205 

Esterbauer, H. et al. (1991). “Chemistry and biochemistry of 4-hydroxynonenal, malonaldehyde and related aldehydes.” Free Radic Biol Med. PMID: 1744560

Poli, G. et al. (2008). “4-Hydroxynonenal-protein adducts: a reliable biomarker of lipid oxidation in liver diseases.” Mol Aspects Med. PMID: 18329193

Siems, W. et al. (2005). “4-Hydroxynonenal and its role in diseases and cellular signaling.” Ann N Y Acad Sci. PMID: 15753135

Marnett, LJ. (2002). Oxy radicals, lipid peroxidation and DNA damage.

Toxicology. 2002 Dec 27;181-182:219-22. PMID: 12505314.

Gentile, Fabrizio. et. al. (2017). DNA damage by lipid peroxidation products: implications in cancer, inflammation and autoimmunity. AIMS Genet. 2017 Apr 18;4(2):103-137. PMID: 31435505.

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