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Tensão no Oriente Médio sustenta alta do petróleo e mantém mercado global em alerta

Bloqueio do Estreito de Hormuz e incertezas geopolíticas pressionam oferta e indicam preços elevados nos próximos meses

O mercado global de petróleo deve seguir sob forte volatilidade nos próximos meses, em meio às incertezas geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã e aos impactos no fluxo de oferta global. As projeções constam na 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities, que aponta riscos persistentes no equilíbrio entre oferta e demanda.

Desde o agravamento do conflito, o bloqueio do Estreito de Hormuz interrompeu o fluxo de cerca de 12 milhões de barris por dia, volume equivalente a aproximadamente 12% da produção global. Como reflexo, os contratos do petróleo Brent passaram a operar acima de US$ 100 por barril, retomando níveis observados em momentos recentes de crise internacional.

Gargalos logísticos limitam recomposição da oferta

Mesmo com o uso de rotas alternativas, como oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além de vias como o Canal de Suez, a capacidade de redirecionamento segue limitada. Até a terceira semana de março, cerca de cinco milhões de barris por dia estavam sendo transportados por rotas alternativas, enquanto uma parcela reduzida ainda atravessava o estreito.

A liberação de reservas estratégicas também atua como medida de contenção no curto prazo. Foram anunciados 426 milhões de barris adicionais ao mercado, mas, ainda assim, o déficit global pode chegar a nove milhões de barris por dia, o equivalente a cerca de 8% da oferta mundial.

Segundo análise do relatório, esse desequilíbrio tende a acelerar a redução dos estoques comerciais nos próximos meses, especialmente caso o bloqueio persista.

Volatilidade no mercado de petróleo reflete impactos geopolíticos e pressões na oferta global da commodity. Crédito: Reprodução

Ásia concentra maior impacto na demanda

A Ásia deve ser a região mais afetada pelas restrições de oferta. Em 2025, cerca de 12,9 milhões de barris por dia passaram pelo Estreito de Hormuz com destino ao continente, com China e Índia entre os principais compradores.

A decisão chinesa de restringir exportações de combustíveis adiciona pressão ao mercado regional, enquanto países como o Japão buscam fornecedores alternativos, como os Estados Unidos, ampliando a disputa global por petróleo.

Exportações e rearranjo global elevam pressão

Nos Estados Unidos, o aumento das exportações de petróleo e derivados tem limitado a formação de estoques, refletindo o papel crescente do país como fornecedor em um cenário de escassez global.

Outro fator relevante é o reposicionamento do petróleo russo no mercado internacional. Apesar de restrições e sanções, a demanda por barris russos voltou a crescer, especialmente na Ásia, embora interrupções logísticas recentes tenham reduzido temporariamente a capacidade de exportação.

Cenário segue dependente de solução diplomática

Mesmo com eventuais cessar-fogos pontuais, a ausência de uma solução definitiva para o conflito mantém o viés de alta para os preços do petróleo no curto e médio prazo.

A reabertura plena do Estreito de Hormuz e um acordo duradouro entre as partes envolvidas poderiam reverter esse cenário. Até lá, a volatilidade deve permanecer elevada, com a oferta global no centro das atenções.

Fonte: StoneX, adaptado pela equipe Feed&Food

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