Micotoxinas, saúde intestinal e alimentação de leitões após o desmame estiveram entre os principais temas do Swine Vision 2026, realizado em 8 e 9 de outubro, em Indaiatuba (SP). Organizado pela Trouw Nutrition Brasil, o encontro reuniu mais de 100 profissionais e especialistas de diferentes regiões brasileiras, além de pesquisadores ligados a universidades como UFRGS, USP, UFLA e UFV.
A alimentação é um dos principais componentes das despesas da suinocultura. Segundo séries históricas analisadas pela Embrapa Suínos e Aves, a alimentação representa, em média, cerca de 65% dos custos em granjas de ciclo completo, percentual que pode alcançar 70% a 75% em períodos de crise. Esse peso torna o aproveitamento dos nutrientes e a prevenção de perdas fatores relevantes para a rentabilidade.
Micotoxinas e saúde intestinal entram em discussão
Um dos debates abordou a contaminação de ingredientes por micotoxinas, substâncias produzidas por determinados fungos que podem comprometer o desempenho dos animais. A zootecnista Raquel Bighetti Araujo, líder de espécies Aves e Suínos para a América Latina na empresa, destacou os riscos da exposição simultânea: “Essas toxinas frequentemente atuam de forma sinérgica, comprometendo a imunidade, a integridade intestinal, as funções hepáticas e renais, além do desempenho reprodutivo dos animais sem necessariamente apresentar sinais clínicos visíveis”.
A programação também incluiu a relação entre microbiota, imunidade e desempenho zootécnico, além de estratégias nutricionais para matrizes hiperprolíficas, com atenção às exigências de fêmeas de alta produtividade.

Pós-desmame exige atenção à digestão dos leitões
Na etapa de creche, os participantes discutiram as mudanças fisiológicas que ocorrem após o desmame e a necessidade de ajustar ingredientes e formulações ao desenvolvimento digestivo dos leitões. Entre os conceitos apresentados estão a velocidade de digestão de proteínas, fibras e amidos e a capacidade de tamponamento das dietas, que influencia a acidificação do conteúdo gástrico.
Durante o encontro, a Trouw Nutrition anunciou um aditivo voltado ao manejo de micotoxinas, denominado TOXO-HP, e programas de concentrados para leitões da linha Milkiwean. O material de divulgação descreve suas aplicações, mas não apresenta resultados comparativos independentes que permitam quantificar os benefícios produtivos anunciados.
Eficiência nutricional influencia competitividade
O debate ocorre em um setor que produziu 5,592 milhões de toneladas de carne suína em 2025 e exportou 1,510 milhão de toneladas, segundo o Relatório Anual 2026 da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O país ocupa a quarta posição mundial na produção e a terceira nas exportações.
Para os produtores, as discussões colocam em evidência a necessidade de associar estratégias nutricionais ao controle sanitário e à avaliação dos custos, sem tomar alegações comerciais como resultados já demonstrados nas granjas.



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