Caroline Mendes – caroline@dc7comunica.com.br
Apesar da retração nas cotações internacionais, os preços da soja seguem firmes no mercado brasileiro. Segundo informações do Cepea, o movimento de queda nos valores externos está relacionado ao clima favorável para o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos e ao elevado volume de estoques globais, especialmente no Brasil e na Argentina. Além disso, tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos, com a imposição de tarifas sobre produtos chineses e retaliações anunciadas, contribuíram para o recuo das cotações no mercado global.
No entanto, no Brasil, os preços da soja têm se mantido estáveis, sustentados por dois fatores principais: a valorização do dólar frente ao real, que aumenta a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a possibilidade de redirecionamento da demanda externa em função das barreiras comerciais entre outros países. De acordo com o Cepea, embora os preços tenham recuado levemente na semana anterior, o cenário favorável ao produtor nacional conteve uma queda mais acentuada.

Já o mercado de milho apresenta uma dinâmica oposta. O avanço da colheita da segunda safra, que deve ser recorde, combinado à fraca demanda – tanto interna quanto externa – tem pressionado os preços no mercado físico. Conforme destaca o Cepea, produtores continuam ofertando grandes volumes, enquanto compradores mantêm-se retraídos, à espera de novas baixas nas cotações.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção de milho na temporada 2024/25 deve alcançar 131,97 milhões de toneladas, o maior volume da história e 14,3% superior ao da safra anterior. Essa superoferta, aliada à baixa liquidez nas negociações, vem limitando qualquer reação nos preços.
Soja mantém-se firme
Com isso, enquanto a soja se mantém estável mesmo diante de um cenário internacional adverso, o milho enfrenta quedas consistentes em meio à abundância de oferta e demanda enfraquecida. O mercado segue atento ao câmbio, ao ritmo das exportações e aos desdobramentos da política comercial global, fatores que devem continuar influenciando diretamente a formação dos preços nas próximas semanas.
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