Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O mais recente relatório Agroinfo, publicado pelo Rabobank, traça um panorama desafiador para o agronegócio brasileiro neste segundo semestre de 2025. Segundo a análise, os mercados de milho, soja e leite enfrentam forte pressão nos preços, resultado de fatores como aumento da oferta global, valorização do real frente ao dólar e dinâmica de consumo doméstico ainda lenta. Em contrapartida, o mercado de carne bovina apresenta sinais de reação, impulsionado por exportações recordes e expectativa de redução da oferta de animais no segundo semestre.
Milho em queda: recuo de 23% desde março
O preço do milho caiu 23% desde março, conforme o Indicador Esalq/Cepea, refletindo uma combinação de fatores internos e externos. No Brasil, chuvas em abril elevaram as projeções de produtividade da safrinha, enquanto no cenário internacional, os EUA anunciaram uma área recorde de plantio para a safra 2025/26. Além disso, a valorização do real e um caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul adicionaram pressão ao mercado. A colheita atrasada da segunda safra — com apenas 4% da área colhida até meados de junho — tende a aumentar a oferta nas próximas semanas, o que deve manter as cotações em baixa.
Soja: estoques crescentes e geopolítica ditam o ritmo
Apesar da safra recorde de 172 milhões de toneladas no Brasil, os preços da soja caíram apenas 3% no Mato Grosso em junho, diante do suporte dos prêmios de exportação. Na Bolsa de Chicago, a desvalorização foi de 14% no mesmo período. Segundo o Rabobank, a recomposição dos estoques globais — que ocorre pelo quarto ano consecutivo — e as incertezas comerciais entre Estados Unidos e China devem continuar influenciando negativamente as cotações. Se as tarifas chinesas de 10% sobre a soja americana forem mantidas no segundo semestre, o Brasil pode ganhar competitividade, mas em um ambiente de margens apertadas e risco elevado de armazenagem prolongada.
Leite: oferta firme e demanda moderada pressionam produtor
A produção de leite segue em trajetória de alta no Brasil, com captação industrial 4,5% maior no primeiro trimestre, segundo o IBGE. O bom desempenho é sustentado por margens positivas, reflexo da combinação entre bons preços pagos ao produtor e custos de alimentação mais baixos. No entanto, o consumo interno ainda cresce em ritmo lento, e as importações seguem em alta — favorecidas pelo câmbio valorizado. Com isso, o Rabobank projeta queda nos preços pagos ao produtor no terceiro trimestre, tanto por excesso de oferta quanto pela concorrência com produtos lácteos importados.
Boi gordo: exportações firmes e menor oferta indicam recuperação
Entre os quatro mercados analisados, a carne bovina é o destaque positivo. De janeiro a maio, as exportações somaram 1,2 milhão de toneladas — alta de 11% em volume e 22% em receita — com China e Estados Unidos como principais destinos. A oferta de animais tende a se reduzir nos próximos meses, especialmente com a menor disponibilidade de gado a pasto, o que deve puxar os preços do boi gordo para cima a partir do terceiro trimestre. Segundo o Rabobank, a demanda externa segue aquecida e deve continuar sustentando os embarques em níveis elevados, reforçando o cenário de recuperação nas cotações.
LEIA TAMBÉM:
São Paulo sedia Conferência Internacional RTRS 2025 sobre soja sustentável
Hipocalcemia subclínica e doenças metabólicas desafiam produção leiteira no pós-parto
AVIMIG celebra 70 anos com foco no fortalecimento da avicultura mineira




