As perspectivas de produção recorde de soja e milho na safra 2026/27 continuam pressionando os preços dos grãos no mercado brasileiro. Segundo análises divulgadas nesta segunda-feira (19) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a expectativa de maior oferta, combinada à retração de compradores, mantém as cotações em queda, apesar das incertezas climáticas relacionadas ao El Niño.
O cenário é reforçado pelo primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 15 de outubro, que projeta produção de 181,6 milhões de toneladas de soja e 148 milhões de toneladas de milho em 2026/27. A estimativa total para os grãos brasileiros alcança 367,1 milhões de toneladas, crescimento de 1,4% frente à temporada anterior.
Cotações acumulam perdas em outubro
No fechamento de sexta-feira (16), o Indicador da Soja Cepea/Esalq no Paraná registrou R$ 148,77 por saca de 60 quilos, com queda acumulada de 3,96% no mês. Em Paranaguá (PR), a cotação chegou a R$ 154,61, retração mensal de 4,30%.

O milho apresentou desvalorização ainda mais expressiva. O Indicador Esalq/B3, referência para a região de Campinas (SP), encerrou o dia 16 em R$ 64,85 por saca, acumulando queda de 5,56% em outubro, apesar da pequena valorização diária de 0,06%.
Maior oferta limita negociações
Na soja, o avanço da colheita no Hemisfério Norte e da semeadura brasileira reforça as expectativas de disponibilidade elevada. Entretanto, preocupações com possíveis impactos do El Niño levaram parte dos produtores a reduzir a participação no mercado spot, limitando as quedas.
No milho, o Cepea aponta oferta doméstica superior à demanda. Compradores mantêm negociações reduzidas ou apresentam propostas menores, enquanto vendedores demonstram maior flexibilidade diante das desvalorizações recentes e da necessidade de liberar espaço nos armazéns.

Clima pode alterar expectativas de produção
As chuvas intensas no Sul do Brasil geram preocupações sobre o desenvolvimento das lavouras e alimentam especulações sobre possível substituição de áreas de soja por milho. No entanto, essa mudança ainda não representa uma tendência confirmada.
Para o milho, a semeadura da safra verão avança satisfatoriamente, mas excesso de chuvas e temperaturas elevadas podem comprometer o desenvolvimento das culturas e afetar a janela de plantio da segunda safra.
Os preços dos grãos também interessam à avicultura e à suinocultura, que utilizam milho e derivados de soja na alimentação animal. Entretanto, eventuais reduções nos custos das rações dependerão também das cotações do farelo de soja, dos contratos de compra e das despesas logísticas.




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