O setor de alimentação animal no Brasil apresentou crescimento de 2,2% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano passado. Até junho, a produção nacional atingiu 43,4 milhões de toneladas de rações e concentrados, demonstrando a resiliência da indústria frente a desafios sanitários e comerciais.
Segundo Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, a cadeia produtiva de proteína animal no país segue em expansão e diversificação de mercados. “O Brasil é reconhecido como fornecedor global de carnes, peixes, ovos e leite. A indústria de alimentação animal desempenha papel estratégico ao fornecer insumos nutricionais de qualidade e em grande escala, contribuindo para a eficiência produtiva e o fornecimento contínuo desses produtos”, afirma.

Avicultura de corte
A demanda de rações proveniente da avicultura de corte atingiu 18,9 milhões de toneladas no semestre. “Esse avanço, embora modesto, foi impactado pelo ritmo das exportações, que sofreram restrições após a identificação de focos de influenza aviária”, explica Zani.
Apesar das pressões externas, a produção de carne de frango mantém trajetória positiva. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta que a produção nacional pode ultrapassar 15 milhões de toneladas ainda em 2025.
Avicultura de postura
O setor de postura apresentou crescimento de 3,3% no alojamento de poedeiras comerciais, refletindo na demanda por rações, que totalizou 3,7 milhões de toneladas no período. Embora as exportações de ovos comerciais ainda sejam incipientes, registraram avanço significativo, com destaque para os Estados Unidos, que absorveram mais da metade dos embarques brasileiros.
Suinocultura
A produção de rações para suínos somou 10,6 milhões de toneladas, refletindo a resposta do setor à crescente demanda interna e externa. A ABPA projeta que a produção de carne suína pode ultrapassar 5,4 milhões de toneladas em 2025, impulsionada por novos mercados internacionais, como Filipinas, México e Singapura, e pela estabilidade do mercado doméstico.
Pecuária leiteira
Segundo dados preliminares do IBGE, a captação formal de leite cresceu 6,1% no primeiro semestre, com destaque para o Nordeste em termos percentuais e para o Sul em volume absoluto. A retomada foi impulsionada por margens de rentabilidade mais ajustadas e pela redução dos custos de suplementação, resultando na demanda de mais de 3,7 milhões de toneladas de rações para vacas em lactação. A produção de leite no Brasil pode crescer até 2,5% ao final de 2025, condicionada à valorização do dólar e à cotação dos insumos para alimentação e saúde dos rebanhos.
Bovinos de corte
O setor de bovinos de corte mostrou dinamismo principalmente nas exportações, reforçando a relevância do Brasil no comércio internacional. Apesar das margens mais restritas na produção intensiva, o consumo de rações e concentrados atingiu 2,75 milhões de toneladas no semestre. “As perspectivas para o segundo giro de confinamento dependem da redução de custos, de preços futuros mais favoráveis e da eficiência gerencial dos empreendimentos, fatores essenciais para recuperar margens e fortalecer o setor”, comenta Zani.
Aquicultura
De janeiro a junho de 2025, a demanda por rações na aquicultura totalizou 892 mil toneladas. “O resultado reflete desafios enfrentados na produção de peixes nativos e exóticos, como a tilápia, em um cenário de vendas abaixo do esperado e preços reduzidos. O inverno mais rigoroso diminuiu o apetite dos peixes e favoreceu doenças, dificultando os resultados”, explica Zani.
Entre as estratégias adotadas, alguns produtores ampliaram áreas de viveiros e reduziram densidades de estocagem, buscando peixes e camarões maiores para atingir preços mais atrativos e mitigar perdas no mercado.
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