A produção brasileira de milho pode alcançar o recorde de 146,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 3,1% sobre os 142,1 milhões estimados para 2025/26. A projeção foi divulgada nesta segunda-feira (19) pela Hedgepoint Global Markets, em estudo elaborado por Luiz Fernando Roque, da área de Inteligência de Mercado – Grãos e Oleaginosas. O resultado dependerá das condições climáticas ao longo do ciclo.
A estimativa considera expansão de 1,7% na área cultivada, para 22,712 milhões de hectares, e aumento de 1,4% na produtividade, para 6.452 quilos por hectare. A recuperação esperada da segunda safra em Goiás e Minas Gerais deve contribuir para esse desempenho. Em levantamento próprio, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 148 milhões de toneladas.
Etanol amplia demanda pelo cereal
O consumo de milho destinado à fabricação de etanol deve passar de 29 milhões para 34 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 17%, impulsionada pela entrada de novas usinas em operação.

A expansão ocorre em um cenário de aumento temporário da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, em vigor desde agosto de 2026 por 180 dias, com possibilidade de prorrogação.
Para a alimentação animal, a Hedgepoint estima consumo de 64 milhões de toneladas, avanço de aproximadamente 2% sobre a temporada anterior. O volume representa cerca de 59% da demanda doméstica projetada, de 109 milhões de toneladas.
Exportações podem alcançar 41 milhões de toneladas
A consultoria prevê crescimento de 8% nas exportações, de 38 milhões para 41 milhões de toneladas. Entretanto, a projeção para 2025/26 foi reduzida devido ao ritmo mais lento dos embarques.

Entre os fatores apontados estão a concorrência com a Argentina e a redução da demanda iraniana. O Irã foi o principal comprador do milho brasileiro em 2025, com aproximadamente 9 milhões de toneladas.
Estoques elevados pressionam mercado interno
A Hedgepoint projeta estoques finais de 14,7 milhões de toneladas em 2025/26, aumento de aproximadamente 20% sobre a temporada anterior. A disponibilidade elevada, combinada ao desempenho mais fraco das exportações, pode pressionar as cotações nos últimos meses de 2026.
Para 2026/27, a estimativa aponta redução de 14% nos estoques finais, para 12,6 milhões de toneladas, dependendo da produção, do consumo e das vendas externas.

Na avicultura e na suinocultura, as oscilações do milho influenciam os custos de alimentação. Entretanto, eventuais quedas nas cotações não representam, necessariamente, reduções imediatas nos preços das rações.



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