A ressincronização de fêmeas submetidas à Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) pode aumentar entre 6% e 10% o número de bezerros produzidos em comparação ao sistema de uma IATF seguida de repasse com touros, segundo Fernando Furtado Velloso, diretor técnico da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA).
A estratégia permite identificar as matrizes que não emprenharam na primeira inseminação e submetê-las a um novo protocolo ainda durante a estação de monta. A técnica ganha relevância em um cenário em que a IATF já responde por mais de 90% das inseminações realizadas em bovinos no Brasil.
“Com a ressincronização, o pecuarista pode inseminar novamente as fêmeas que não emprenharam na primeira tentativa, reduzindo o intervalo entre as inseminações. Essa possibilidade aumenta a eficiência do sistema e permite concentrar mais prenhezes na estação de monta”, explica Velloso.
Segunda inseminação pode ser antecipada
No protocolo tradicional, o diagnóstico de gestação ocorre cerca de 30 dias após a primeira IATF. As fêmeas identificadas como vazias iniciam então uma nova sincronização. Protocolos mais precoces utilizam ultrassonografia com Doppler para antecipar essa avaliação.

“No protocolo tradicional, o diagnóstico de gestação é realizado por ultrassonografia cerca de 30 dias após a primeira IATF, permitindo identificar as fêmeas vazias e iniciar a nova programação. Em protocolos mais precoces, o uso de Doppler (que permite o diagnóstico de gestação mais cedo que o ultrassom comum) antecipa a avaliação, que pode ser realizada 21 dias após a primeira tentativa de inseminação”.
Estudo com mais de 1,4 mil fêmeas de corte mostrou que a avaliação por Doppler aos 21 dias permitiu realizar a segunda IATF no 23º dia, alcançando taxa acumulada de concepção de 70,5% após duas inseminações.
Nascimentos ficam mais concentrados
Segundo Velloso, a ressincronização pode reduzir em 20 a 30 dias a estação de monta e concentrar maior número de nascimentos nos primeiros 45 dias da estação de parição.
Na prática, bezerros nascidos mais cedo dispõem de maior período para ganho de peso até o desmame, enquanto lotes mais uniformes podem facilitar o planejamento de manejo da fazenda. A adoção, porém, exige avaliação técnica e econômica considerando custos com sêmen, protocolos hormonais e mão de obra.



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