A reportagem “De utopia à realidade: dinheiro do crédito de carbono já remunera pecuaristas brasileiros”, publicada na edição 215 da Revista Feed&Food, de março de 2025, conquistou o segundo lugar na categoria Sustainability (Sustentabilidade) do IFAJ Star Prize 2026. Assinado pelo jornalista Ariosto Mesquita, o trabalho teve o resultado anunciado em 19 de setembro, durante o congresso anual da International Federation of Agricultural Journalists (IFAJ), realizado em Osijek, na Croácia.
A reportagem acompanhou casos em que pecuaristas já haviam recebido antecipadamente parte da remuneração vinculada a créditos de carbono que seriam gerados ao longo dos projetos. Em vez de tratar esse mercado apenas como uma possibilidade futura, a apuração encontrou produtores com recursos já depositados e projetos em andamento no campo.
Crédito antecipado no campo
A pauta foi proposta pelo autor após a identificação de produtores brasileiros que já recebiam essas antecipações. A Feed&Food reconheceu o potencial jornalístico da história, aprovou sua realização e viabilizou a apuração de campo para entender como o modelo funcionava na prática.
Entre os casos apresentados estava o do pecuarista e silvicultor Rodrigo Barros de Azevedo, de Porangatu (GO). Semanas após assinar um contrato relacionado a um projeto silvipastoril de 92 hectares, o produtor recebeu US$ 62 mil como antecipação de parte da remuneração prevista ao longo do projeto.
Na época da apuração, a reportagem também registrou cerca de R$ 3,5 milhões já antecipados a pecuaristas para projetos que somavam 950 hectares no Brasil. O modelo permitia aos produtores acessar antecipadamente parte da remuneração vinculada aos créditos de carbono que seriam gerados ao longo dos projetos, contribuindo para financiar a implantação dos sistemas silvipastoris.
Para Diogo Ciasulli, CEO da Feed&Food, a existência de situações concretas elevou o potencial jornalístico da pauta. “Não estávamos falando apenas de metas, projeções ou promessas. Havia propriedades, contratos, valores depositados e transformações que poderiam ser verificadas no campo.”
A apuração percorreu propriedades em Goiás e Tocantins, ouviu produtores e outros agentes envolvidos nesse mercado e detalhou como a antecipação financeira começava a funcionar dentro de projetos silvipastoris.

Jornalismo de profundidade exige investimento
Para transformar a proposta em uma reportagem aprofundada, a Feed&Food viabilizou financeiramente os deslocamentos e os honorários do jornalista, além de acompanhar todo o processo editorial. Depois da apuração, a equipe trabalhou na edição, organização do conteúdo, projeto gráfico e publicação.
Ciasulli ressalta que o mérito da identificação da pauta e da apuração é do jornalista, enquanto o papel da Feed&Food foi acreditar na relevância da história e oferecer as condições necessárias para que ela pudesse ser desenvolvida com profundidade.
“Para nós, também é importante destacar isso: jornalismo de profundidade exige investimento. Não basta defender boas reportagens no discurso. É necessário oferecer tempo, recursos e espaço para que o jornalista vá a campo, encontre as pessoas e verifique os fatos”, afirma.
Para o CEO, a combinação entre relevância, originalidade e apuração de campo esteve entre os diferenciais do trabalho. A reportagem apresentou situações concretas e buscou explicar um tema complexo a partir das experiências dos produtores e do funcionamento dos projetos acompanhados.
Escolha editorial reconhecida
Para a Feed&Food, a segunda colocação no IFAJ Star Prize reforça uma estratégia baseada em produção jornalística original, proximidade com o campo e investimento em apuração.
“Para a Feed&Food, também representa a validação de uma escolha editorial: acreditar em conteúdo original, investir em apuração e abrir espaço para histórias que ajudam o setor a compreender suas próprias transformações”, destaca Ciasulli.
O CEO também relaciona o resultado à capacidade do jornalismo agro brasileiro de levar histórias do setor ao cenário internacional. “Mais do que uma conquista do veículo, enxergamos esse resultado como uma vitória do jornalismo agro brasileiro e da qualidade das histórias que o nosso setor tem para apresentar ao mundo.”
Segundo Ciasulli, a premiação reforça um modelo de jornalismo que a Feed&Food fortalece há mais de 20 anos. “Em um momento em que a informação circula cada vez mais rápido, acreditamos que a velocidade não pode substituir a apuração. O prêmio mostra que ainda existe muito valor em ir ao local, ouvir diferentes lados, verificar os fatos e contar boas histórias com profundidade”, conclui.



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