Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro apresentou crescimento de 6,49% no primeiro trimestre de 2025, segundo levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O resultado mantém a trajetória de recuperação iniciada no final de 2024 e reflete a combinação de preços mais elevados e aumento na produção de importantes cadeias agrícolas e pecuárias.
De acordo com o estudo, todos os segmentos que compõem o agronegócio tiveram desempenho positivo no período. O segmento primário foi o grande destaque, com avanço de 10%, puxado principalmente pela agricultura (10,78%) e pela pecuária (8,58%). O setor de insumos cresceu 4,45%, a agroindústria avançou 3,18% e os agrosserviços registraram alta de 6,27%.
Pela ótica dos ramos, o PIB do ramo agrícola cresceu 5,59%, enquanto o da pecuária apresentou um salto de 8,50%. Com esse desempenho, a estimativa é que o agronegócio represente 29,4% do PIB nacional em 2025, um aumento significativo frente aos 23,5% registrados em 2024.

Segmento primário lidera o crescimento
O crescimento de dois dígitos no segmento primário foi impulsionado principalmente pela valorização dos preços das commodities agrícolas e pela expectativa de maior produção ao longo do ano. Na agricultura, os destaques ficaram para o café, com alta de 141,4% no valor bruto da produção, o cacau (71,8%), a laranja (27,1%), o milho (22,6%) e a soja (17%). No caso do trigo, o crescimento projetado é de 14,8%.
Já na pecuária, todos os segmentos monitorados tiveram desempenho positivo. A bovinocultura de corte registrou alta de 26% no valor da produção, enquanto a suinocultura cresceu 26,4%. O leite avançou 19,6% e os ovos 17,2%. A produção de frango também teve variação positiva de 2,7%, com destaque para a maior demanda no mercado externo.
Insumos impulsionados pelos fertilizantes
O segmento de insumos cresceu 4,45%, com desempenho puxado pelos insumos agrícolas, que avançaram 7,24%, enquanto os insumos pecuários apresentaram recuo de 3,05%. O principal destaque foi a indústria de fertilizantes e corretivos de solo, que teve um crescimento de 43,4% no valor da produção, resultado de um aumento de 18,7% nos preços reais e de 20,7% na produção anual prevista.
A produção de defensivos também avançou, com crescimento de 27%, apesar da queda de 8,4% nos preços. Já a indústria de máquinas agrícolas teve alta de 10,1%, sustentada pelo aumento de 16,6% na produção. Por outro lado, o segmento de rações foi o único a registrar queda no valor bruto de produção (-14,1%), reflexo de preços mais baixos.
Agroindústria cresce com força da pecuária
O PIB da agroindústria subiu 3,18% no trimestre, com melhor desempenho das indústrias de base pecuária (8,29%) frente às de base agrícola (1,62%). Na indústria pecuária, o avanço foi puxado principalmente pela elevação dos preços das carnes, pescado e laticínios. O segmento de abate e preparação de carnes e pescado registrou crescimento de 23,4%, seguido pela indústria de laticínios, com alta de 3,8%.
Entre as agroindústrias agrícolas, os destaques foram os setores de biocombustíveis (25,8%), café (97,4%), vestuário (3,1%) e móveis de madeira (8,3%). Em contrapartida, houve quedas em segmentos como bebidas (-1,9%), açúcar (-0,35%) e conservas de frutas e vegetais (-13,5%).
Agrosserviços também têm desempenho positivo
O segmento de agrosserviços teve crescimento de 6,27%, refletindo a maior demanda por transporte, armazenagem, comercialização e outros serviços relacionados à produção agropecuária. O ramo pecuário teve avanço mais expressivo (9,65%), enquanto o agrícola cresceu 4,66%. O aumento da produção e das exportações, aliado à expectativa de safra recorde, impulsionou a demanda por serviços logísticos.
Perspectivas para o ano
Considerando o desempenho do primeiro trimestre, o Cepea e a CNA projetam que o PIB do agronegócio alcance R$ 3,79 trilhões em 2025. Desse total, R$ 2,57 trilhões devem vir do ramo agrícola e R$ 1,22 trilhão do ramo pecuário.
A continuidade da valorização dos preços, aliada ao aumento na produção de importantes cadeias do setor, pode manter o ritmo de crescimento ao longo dos próximos trimestres. Além disso, o desempenho das exportações e a recuperação de mercados internacionais também devem influenciar positivamente os próximos resultados.
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