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Peste suína africana: Europa concentra novos surtos e perdas superam 2 milhões de suínos desde 2022

Estônia, Romênia, Polônia e Alemanha estão entre os países mais afetados
Por Caroline Mendes
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Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

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Apesar de uma leve retração no número de surtos, a peste suína africana (PSA) continua sendo uma das principais ameaças sanitárias à suinocultura mundial. O mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) revela que, embora nenhum novo país tenha declarado ocorrência da doença, nove países europeus relataram 313 novos surtos, sendo 26 em suínos domésticos e 287 em javalis.

O relatório de situação nº 65 da WOAH detalha que Estônia, Alemanha, Grécia, Hungria, Moldávia, Polônia, Romênia, Sérvia e Ucrânia atualizaram suas notificações de eventos em andamento, mantendo a Europa como o continente mais afetado atualmente. Chama atenção a ocorrência de doze surtos fora das áreas anteriormente atingidas, incluindo um foco na Estônia localizado a 49 quilômetros do último ponto conhecido da doença, o que indica a possibilidade de falhas no controle de movimentação ou lacunas na vigilância ativa. Segundo o levantamento, aproximadamente 71% dos surtos aconteceram em áreas com densidade superior a 10 suínos por quilômetro quadrado, o que eleva os riscos de disseminação e dificulta o controle.

Desde o início de 2022 até o fim de abril de 2025, a peste suína africana foi detectada em 64 países e territórios, afetando mais de 1 milhão de suínos domésticos e 36 mil javalis, com 2.108.496 perdas acumuladas de animais (entre mortes e abates sanitários). A Europa concentra a maior parte desses impactos, com 4.620 surtos em suínos comerciais e 22.477 em javalis, resultando em mais de 1,45 milhão de perdas. Em seguida aparece a Ásia, com 6.359 surtos e 537 mil perdas, seguida por África (819 surtos e 102 mil perdas) e Américas, onde foram registrados 65 surtos em suínos domésticos desde 2022, totalizando cerca de 9,4 mil perdas. A Oceania permanece sem registros oficiais da doença.

Embrapa aponta ações antes PSA
O mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) revela que, embora nenhum novo país tenha declarado ocorrência da doença, nove países europeus relataram 313 novos surtos, sendo 26 em suínos domésticos e 287 em javalis.

Além do impacto direto sobre a produção, a PSA provoca restrições comerciais, elevação nos custos de biosseguridade e desequilíbrio nos mercados internos e externos de carne suína, afetando especialmente pequenos e médios produtores. Em países onde a cadeia suinícola tem forte peso econômico, como Alemanha, Polônia, Romênia e China, os surtos têm gerado perdas milionárias e paralisado abates, exportações e movimentações internas.

A ausência de vacinas oficialmente autorizadas é outro desafio. Embora alguns países estejam conduzindo ensaios de campo com vacinas de vírus vivo modificado, até o momento nenhum país relatou oficialmente à WOAH a aplicação de imunizantes, seja de forma emergencial ou preventiva. Em maio de 2025, a Assembleia Mundial de Delegados da WOAH adotou os primeiros padrões internacionais para a produção de vacinas contra a PSA Genótipo II, abrindo caminho para regulamentações futuras. Ainda assim, a entidade reforça que qualquer estratégia de vacinação deve estar inserida em programas robustos, com vigilância pós vacinal, definição de metas, avaliação da epidemiologia local e infraestrutura técnica e financeira compatível.

A WOAH também chama atenção para a necessidade de notificações rápidas, compartilhamento de dados epidemiológicos, incluindo variantes recombinantes, e ampla cooperação entre os países. Um dos pontos mais críticos atualmente é a manutenção da biosseguridade nas propriedades rurais, especialmente em regiões com alta densidade de suínos e circulação de javalis, considerados importantes reservatórios e vetores da doença.

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