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Pecuária concentra metano, e eficiência pode reduzir emissões

SEEG aponta 15 medidas para diminuir o impacto climático da agropecuária.

A agropecuária brasileira emitiu 15,7 milhões de toneladas de metano em 2024, o equivalente a 75,8% das emissões nacionais desse gás. O dado integra um levantamento divulgado pelo Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, que apresenta 15 propostas para reduzir as emissões do setor no Brasil.

As medidas voltadas à agropecuária foram elaboradas pelo Imaflora e envolvem manejo dos rebanhos, alimentação, genética, recuperação de pastagens, assistência técnica, crédito e tratamento de resíduos da produção animal.

Bovinos concentram maior parcela

Mais de 90% das emissões agropecuárias de metano estão associadas à criação de bovinos, principalmente pela fermentação entérica. Estudo publicado pelo Imaflora mostra que as atividades pecuárias concentram 97,9% do metano do setor, enquanto a fermentação entérica responde pela maior parcela.

Entre as estratégias propostas estão melhoria da alimentação dos animais, seleção genética, redução da idade de abate e maior eficiência produtiva. Segundo o levantamento, essas práticas podem diminuir a quantidade de metano emitida por unidade de carne ou leite produzida.

Rebanho bovino em sistema de produção intensiva ilustra o desafio de reduzir as emissões de metano por meio de ganhos de eficiência, manejo e nutrição. Crédito: Reprodução.

A recuperação de pastagens também aparece entre as alternativas, por melhorar a oferta e a qualidade da forragem e favorecer sistemas com maior produtividade por área.

Potencial chega a 28% até 2035

Outro eixo envolve o manejo de dejetos. Compostagem, biodigestão e aproveitamento do biogás podem reduzir emissões provenientes dos resíduos animais e, em determinados sistemas, gerar energia ou biofertilizantes.

Um estudo publicado em março na Frontiers in Sustainable Food Systems estima que a adoção das estratégias analisadas poderia reduzir em 28% as emissões de metano da agropecuária brasileira até 2035, na comparação com 2020. Trata-se de um cenário de mitigação condicionado à expansão das práticas e tecnologias consideradas no modelo.

Os autores destacam que alcançar esse potencial depende de investimentos, assistência técnica, financiamento, pesquisa e sistemas de monitoramento capazes de acompanhar os resultados das medidas implementadas.

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