Os preços do milho e da soja avançaram no mercado brasileiro em agosto, mesmo com o progresso da colheita da segunda safra do cereal. O movimento, analisado pelo Cepea nesta segunda-feira (24), reflete retração de vendedores, demanda firme e incertezas sobre a oferta global. Como os grãos são insumos importantes da alimentação animal, a trajetória entra no radar das cadeias de proteína.
Milho acumula alta de 4,06%
Em 21 de agosto, o Indicador do Milho ESALQ/BM&FBovespa fechou a R$ 67,90 por saca de 60 quilos, com alta diária de 0,24% e avanço de 4,06% no mês. Segundo o Cepea, produtores reduziram as ofertas no mercado spot, em contratos futuros e para exportação, enquanto compradores elevaram propostas para recompor estoques.

No exterior, o mercado reage às condições das lavouras norte-americanas, à menor produção esperada na União Europeia e às incertezas no Mar Negro. Em agosto, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reduziu a estimativa de produtividade do milho no país frente a julho, embora a área maior tenha mantido a produção praticamente estável. Os estoques finais projetados caíram 3,5 milhões de toneladas, para 42 milhões.
Para a União Europeia, o órgão norte-americano estima produção de 50,2 milhões de toneladas, volume que, se confirmado, será o menor em quase duas décadas.
Soja atinge máximas desde 2023
A soja também acumulou valorização. No Paraná, o Indicador CEPEA/ESALQ encerrou 21 de agosto a R$ 146,70 por saca, com ganho mensal de 6,87%. Em Paranaguá, a cotação ficou em R$ 153,68, mesmo após recuo diário de 0,61%, e acumulou alta de 6,05% no mês. Os indicadores alcançaram os maiores patamares nominais diários desde abril de 2023.

O Cepea atribui o movimento à procura externa, sobretudo da China, e às compras de indústrias brasileiras para recomposição de estoques. Ao mesmo tempo, vendedores limitam a disponibilidade diante das dúvidas sobre a safra 2026/27 e os efeitos do El Niño.

O Instituto Nacional de Meteorologia prevê manutenção e intensificação do fenômeno no segundo semestre. O órgão ressalta, porém, que os impactos variam conforme a região e a evolução das condições atmosféricas, sem significar automaticamente perda de produção.
Para o setor de alimentação animal, as altas sinalizam atenção, mas não comprovam repasse imediato aos custos. O efeito depende de contratos, estoques, formulações e preços de derivados utilizados por cada empresa ou produtor.



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