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Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
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Bezerro SPR$ 3.182,01
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Mercado do boi gordo fecha maio em queda, pressionado por baixa demanda no spot

Segundo análise do Cepea/Esalq, arroba do boi gordo caiu 4% no mês; relação de troca com bezerros piora e proteína bovina sente concorrência com o frango

Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

O setor da pecuária de corte brasileira atravessou um mês de maio de 2025 com sinais claros de pressão sobre preços e margens, em diferentes elos da cadeia. De acordo com análise do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o preço da arroba do boi gordo apresentou recuo de 4% no acumulado do mês, fechando em R$ 306,10 no dia 30, refletindo a menor procura por animais prontos para abate no mercado spot.

Segundo o Cepea, frigoríficos de grande porte conseguiram manter suas escalas abastecidas com gado de contrato ou de produção própria, o que reduziu sua presença nas negociações à vista. Mesmo nas regiões onde produtores tentaram resistir aos preços mais baixos, aproveitando as boas condições das pastagens, os valores acabaram cedendo diante do fraco apetite comprador.

Todas as regiões acompanhadas pela equipe de pesquisa registraram queda nos preços do boi gordo. A retração mais intensa foi observada no Noroeste do Paraná, com baixa de 8,6% no mês. Em contrapartida, Goiânia (GO) apresentou a menor queda entre as praças analisadas, de 3,4%, sustentada por uma oferta limitada de animais terminados e pela resistência dos pecuaristas em negociar.

Todas as regiões acompanhadas pela equipe de pesquisa registraram queda nos preços do boi gordo

Mercado de reposição aquecido, mas com margens espremidas

Se o segmento de engorda sentiu a pressão nos preços, o mercado de reposição, que compreende os bezerros e bois magros, seguiu em ritmo firme durante o mês. Os leilões apresentaram alto volume de arremates, refletindo o otimismo dos recriadores com os próximos ciclos de produção.

No entanto, a queda no valor da arroba do boi gordo comprometeu o poder de compra de quem recria, e a relação de troca entre boi e bezerro piorou ao longo do ano. Em janeiro, um bezerro de 8 a 12 meses no Mato Grosso do Sul podia ser adquirido com 8,11 arrobas de boi gordo paulista. Em maio, essa troca saltou para 9,47 arrobas — o pior nível do ano, e 16,9% acima do registrado no início de 2025.

Esse movimento pressiona diretamente a margem da recria, pois o produtor precisa vender mais carne para adquirir o mesmo número de cabeças para o próximo ciclo. Essa deterioração da relação de troca também foi mais severa que a de maio do ano anterior, quando o índice estava em 9,05 arrobas.

No elo final da cadeia, o mercado da carne bovina também enfrentou desvalorização. A carcaça casada bovina foi negociada a R$ 21,58/kg na Grande São Paulo no final de maio, acumulando queda de 6,6% no mês.

Dois fatores principais explicam o recuo: de um lado, a pressão vinda do mercado de boi gordo, com matéria-prima mais barata, e de outro, a fragilidade do consumo doméstico, ainda impactado por endividamento das famílias e inflação persistente. A situação foi agravada pela concorrência com outras proteínas, especialmente o frango.

A carne de frango ficou mais barata após a detecção de um foco de Influenza Aviária em granja comercial no Rio Grande do Sul, o que causou o bloqueio de parte das exportações brasileiras e redirecionou a oferta para o mercado interno. Com isso, a competitividade da carne bovina foi diretamente afetada no varejo e no atacado.

Expectativas

O cenário da pecuária de corte segue desafiador. No curto prazo, o comportamento das escalas dos frigoríficos, a disponibilidade de animais terminados e a dinâmica dos preços de reposição devem continuar influenciando os resultados do campo. No varejo, o desempenho das vendas e a recuperação do poder de compra da população serão fundamentais para a sustentação dos preços da carne bovina.

Enquanto isso, o recriador se vê espremido entre um bezerro valorizado e uma arroba pressionada, em um dos momentos mais sensíveis do ano para a gestão da margem.

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