O mercado global de commodities inicia 2026 sob um cenário de projeções mistas, marcado por estabilidade e leve tendência de queda nos preços, segundo a 34ª edição do relatório “Perspectivas para Commodities 2026”, divulgado nesta terça-feira (27) pela StoneX. O desempenho esperado reflete, principalmente, o peso das matérias-primas energéticas nos índices globais, embora o movimento não deva ocorrer de forma homogênea entre os diferentes segmentos.
De acordo com o gerente de Inteligência de Mercado da StoneX, Vitor Andrioli, o ano será influenciado por um ambiente externo ainda desafiador. “Apesar de a economia global ter surpreendido positivamente em 2025, mesmo com o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos, os riscos para 2026 seguem elevados”, afirma. Entre os principais fatores de atenção estão a instabilidade da política econômica norte-americana, as incertezas em torno das decisões do Federal Reserve e o cenário geopolítico.
O relatório destaca que os investimentos em Inteligência Artificial continuam sustentando o otimismo nos negócios e a expectativa de ganhos de produtividade em diversos setores. No entanto, essa expansão permanece vulnerável a mudanças nas condições de crédito e à capacidade das empresas de tecnologia de converter investimentos em resultados consistentes.

Agronegócio
No agronegócio, o complexo de grãos e oleaginosas apresenta um quadro de oferta confortável. A soja segue com balanço global favorável, impulsionada por um novo recorde de produção no Brasil, estimado em 177,6 milhões de toneladas. Já o milho enfrenta pressão de preços devido à sobreoferta nos Estados Unidos, enquanto no Brasil a definição da próxima safra de inverno ainda é incerta. A StoneX projeta, no entanto, uma redução da participação brasileira nas exportações, diante da demanda interna aquecida pelo setor de etanol.
Entre as chamadas soft commodities, café e cacau registram recuperação da produção nos principais países exportadores, embora os estoques globais sigam restritos. O açúcar mantém viés de baixa, com expectativa de superávit, enquanto o algodão inicia 2026 com ampla oferta global, apesar da redução de área plantada no Brasil e na Austrália.
O mercado de fertilizantes continua pressionado por restrições de oferta, o que sustenta preços elevados. A StoneX destaca a valorização da amônia, causada por problemas de produção, que encarece a fabricação de ureia, além da possibilidade de suspensão das exportações chinesas de fosfatados. Tensões geopolíticas no Irã e na Venezuela também adicionam riscos à disponibilidade e aos custos dos fertilizantes exportados por esses países, especialmente para Brasil e Índia.
Energia
No setor de energia, o petróleo deve manter um balanço confortável, com crescimento mais moderado da demanda e aumento da produção em países como Brasil, Canadá, Guiana e Argentina. Já o gás natural apresenta preços sustentados nos Estados Unidos, enquanto Europa e Ásia enfrentam um cenário de demanda enfraquecida e oferta abundante.
Metais
Entre os metais, ouro e prata tendem a se valorizar em meio à maior busca por proteção financeira. O movimento é reforçado pelo descompasso entre uma demanda aquecida — tanto para uso industrial quanto para aplicações ligadas à Inteligência Artificial — e um crescimento mais lento da oferta.
Real brasileiro
No cenário doméstico, a StoneX avalia que a questão fiscal segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade para o real. O risco se intensifica em um ano marcado por eleições polarizadas e baixa probabilidade de avanço de pautas econômicas no Congresso. Por outro lado, o elevado diferencial de juros deve continuar favorecendo a moeda brasileira, especialmente diante da expectativa de cortes graduais na taxa Selic, o que tende a estimular a entrada de capitais de curto prazo no país.
Fonte: StoneX, adaptado pela equipe da Feed & Food.
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