O movimento em torno dos alimentos orgânicos ganha força globalmente e, embora o Brasil figure entre os maiores produtores com área certificada, o leite e seus derivados ainda avançam de forma tímida nesse segmento. A busca por produtos mais saudáveis, sustentáveis e éticos se traduz em novas oportunidades de mercado, mas também impõe desafios técnicos e econômicos à cadeia produtiva. Na avaliação de Kennya Siqueira, pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, o desenvolvimento do leite orgânico no país passa por uma combinação de estratégias que envolvem o fortalecimento de canais curtos de comercialização, melhoria da logística e ampliação da confiança do consumidor. “O leite orgânico é, sem dúvida, um produto de valor agregado, mas o mercado brasileiro ainda precisa amadurecer em termos de estrutura, certificação e comunicação”, afirma.
No cenário global, o interesse pelos alimentos orgânicos é uma tendência consolidada. Segundo o relatório The World of Organic Agriculture: Statistics and Emerging Trends (2025), o mercado mundial movimentou cerca de EUR 136 bilhões em 2023, reunindo 4,3 milhões de produtores, com a América Latina respondendo por EUR 778 milhões desse total. No Brasil, apesar do avanço pós-pandemia — com crescimento de 16% no número de consumidores de orgânicos entre 2021 e 2023 —, o setor de lácteos orgânicos ainda é considerado incipiente.
“Entre 2017 e 2023, houve um aumento de 140% no número de consumidores de orgânicos no país. No entanto, quando olhamos para o leite e derivados, ainda estamos diante de um mercado pequeno, embora promissor”, pontua Kennya. O levantamento da Organis, Associação de Promoção dos Orgânicos, indica que 36% dos brasileiros consumiram algum alimento orgânico nos 30 dias anteriores à pesquisa, mas os produtos lácteos aparecem em proporções menores do que frutas, legumes e vegetais.
Leia a matéria completa na edição 223 da revista Feed&Food.

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