Camila Santos, de Goiânia (GO)
Durante a palestra “Como os sensores e a inteligência artificial redefinirão os indicadores pecuários e as decisões na fazenda?”, apresentada no Feedlot Summit Brazil 2025, o zootecnista e coordenador do Inttegra, Antonio Chaker El-Memari Neto, apresentou um panorama das transformações em curso na pecuária a partir do uso de inteligência artificial (IA), softwares especializados e sensores de coleta automática de dados.
Para ele, a revolução digital já não é um tema de futuro, mas de presente. “Essas ferramentas estão mudando radicalmente a forma de gerir fazendas. Não se trata mais apenas de converter PDFs ou organizar planilhas. Hoje, conseguimos ter relatórios automáticos, previsões e até sugestões de decisão em tempo real, integrando dados de manejo, desempenho e mercado”, explica.
Chaker destacou que o grande valor das novas tecnologias não está apenas em processar informações, mas em apoiar a gestão prática da fazenda. Com exemplos bem-humorados, mostrou como ferramentas baseadas em IA podem auxiliar tanto em tarefas do dia a dia, como revisar e-mails ou apresentações, quanto em cálculos complexos de desempenho de lotes, avaliação de protocolos reprodutivos ou análises financeiras.
“Eu posso subir uma planilha de ATF ou de ganho médio diário e pedir: calcule o impacto no resultado da operação. A tecnologia não só processa os dados como identifica padrões e tendências que muitas vezes passam despercebidos. Isso significa decisões mais rápidas e assertivas”, pontuou.
Entre os exemplos citados, Chaker mencionou o uso de softwares capazes de cruzar bases históricas de dados com indicadores zootécnicos, sugerindo ajustes de manejo ou até mesmo fórmulas de dieta. Segundo ele, o ponto central é a automação inteligente: lançar um dado de morte e o sistema já calcular a mortalidade; registrar uma venda e imediatamente projetar a taxa interna de retorno.

“Em uma fazenda moderna, relatório não se faz, relatório tem que estar disponível. Quem está produzindo relatório manualmente ainda está preso nos anos 80. Nosso papel não é cuidar de dado, nosso papel é cuidar de gente. O dado tem que estar organizado e acessível automaticamente”, enfatiza.
Inteligência artificial, o soft skills e a gestão de pessoas
Apesar de toda a ênfase na tecnologia e na inteligência artificial, o palestrante destacou que os resultados só aparecem quando há equilíbrio entre capital humano e inovação. Ele relatou que já utilizou IA até para preparar abordagens delicadas em gestão de equipes, como dar feedbacks sem constrangimento. “O grilo falante digital ajuda a encontrar as palavras certas. Parece um detalhe, mas são as soft skills que sustentam a conexão das pessoas com a equipe. E sem gente, não existe gestão”, reforça.
De acordo com Chaker, o impacto das soluções digitais é imediato na pecuária de corte. Sensores autônomos de coleta de dados, aliados a sistemas de IA, simplificam rotinas e liberam o gestor para se dedicar ao que realmente importa: pessoas, estratégia e tomada de decisão. “Esses recursos tornam possível uma gestão mais enxuta e eficiente. Quanto mais simplificamos a operação, mais fácil é focar no essencial. Tecnologia cuida de dado, gestor cuida de gente. Essa é a lógica que vai definir o futuro da pecuária”, resume.
O coordenador do Inttegra reforçou que ainda que a adoção de IA e sensores não é opcional para quem deseja permanecer competitivo. “O que estamos vendo é só o começo. Quem aproveitar essa revolução vai ganhar tempo, eficiência e escala. Continuem investindo, simplificando e aumentando o foco em gestão. Essa é a tônica para os próximos anos da agropecuária brasileira”.
Ao encerrar sua apresentação, Chaker reforçou que, diante de tantas mudanças – incluindo o desenvolvimento da inteligência artificial -, é fundamental que cada gestor mantenha seus valores e propósito como norteadores das decisões. “A tecnologia vai mudar, mas o propósito e os valores não mudam. Eles são inegociáveis”, destacou. Para ele, a combinação entre visão estratégica clara, aprendizado contínuo, processos bem estruturados, flexibilidade para novas gerações, senso de urgência e obsessão por números é o que sustenta a pecuária moderna. Sensores, câmeras e inteligência artificial podem apoiar em cada um desses pontos, mas jamais substituir a essência humana da gestão. “O futuro não pertence às máquinas, mas a quem sabe comandá-las. Que a gente aprenda a acomodar esse monte de máquina e leve a pecuária para outro nível”, conclui.
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