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Identificação individual de bovinos na Feicorte 2025

Processo é um divisor de águas para a sanidade, a rastreabilidade e a valorização da carne brasileira.
Por Camila Santos
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Camila Santos, de Presidente Prudente (SP)

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Durante a programação da Feicorte 2025, em Presidente Prudente-SP, a Arena do evento recebeu a médica-veterinária Erika Ramos Mello, diretora técnica do Departamento de Trânsito e Análise de Riscos da Defesa Agropecuária de São Paulo, para um painel sobre a regulamentação da identificação individual de bovinos.

Com sólida formação técnica — mestrado em Medicina Veterinária e graduação em Administração Pública — Erika destacou que o processo de identificação individual dos animais é um divisor de águas para a sanidade, a rastreabilidade e a valorização da carne brasileira.

“O principal motivo de estarmos discutindo isso é o controle sanitário eficiente”, afirma. “A identificação individual permite rastrear de forma precisa a origem de um animal doente, saber de onde ele veio e, com isso, agir rápido para conter a disseminação de doenças.”

Segundo ela, os benefícios são claros para toda a cadeia: o produtor, a defesa agropecuária e o consumidor. “É uma medida que garante segurança alimentar. Se sabemos exatamente os medicamentos, vacinas e insumos usados em cada animal, evitamos que um animal com resíduos vá para o abate”, pontua. “Isso protege o consumidor e valoriza o produto do pecuarista.”

Três primeiros dígitos do brinco identifica o país de origem do gado: “076” é para o Brasil (Foto: Reprodução)

Erika também ressaltou a importância da medida para a abertura de mercados internacionais. “Com rastreabilidade comprovada, o produto brasileiro ganha credibilidade e pode acessar mercados mais exigentes, como o europeu. É uma valorização real da carne.”

Outro ponto destacado foi a gestão de rebanhos. “A identificação dá ao produtor uma visão clara sobre os custos com medicamentos, suplementações e o ganho de peso do animal. É um passo essencial para a profissionalização da produção, principalmente para pequenos e médios criadores.”

A segurança patrimonial também entra em pauta. “Hoje, a marca a fogo não é 100% eficaz. Com identificação eletrônica, fica mais fácil rastrear animais roubados ou desviados. Se alguém oferece gado sem brinco, há um sinal claro de alerta.”

PNIB: o futuro da identificação individual no país

Erika explicou que o Brasil já conta com legislações que tratam da rastreabilidade por lotes e com o SISBOV — sistema de adesão voluntária voltado à exportação para a União Europeia. No entanto, o novo marco está no Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos – PNIB.

Erika Ramos Mello é diretora técnica do Departamento de Trânsito e Análise de Riscos da Defesa Agropecuária de São Paulo (Foto: FeedFood)

“O PNIB é diferente. Ele será obrigatório e prevê a identificação de 100% do rebanho nacional em etapas. O objetivo é que todos os bovinos e bubalinos estejam identificados individualmente, com dispositivos padronizados, como brincos e bottons com microchip”, explica.

Cada animal receberá um número único de 15 dígitos, seguindo padrão ISO internacional — com os três primeiros identificando o país de origem: “076”, para o Brasil. A implantação do PNIB já começou a ser desenhada por um grupo técnico nomeado pelo Ministério da Agricultura, que reuniu representantes da cadeia produtiva, desde produtores até frigoríficos. “É um plano nacional, com base técnica e ampla discussão. O futuro da pecuária brasileira passa por ele”.

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