Camila Santos, de São Paulo (SP)
Durante coletiva no GAFFFF (Global Agribusiness Festival), o governador do Pará, Helder Barbalho, destacou a importância de conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental. Ao ser questionado sobre críticas relacionadas ao apoio à exploração de petróleo na região amazônica, Barbalho respondeu que “produzir e preservar devem caminhar juntos”. Para ele, não há conflito entre sustentabilidade e produtividade, e o Brasil, como potência ambiental e agrícola, deve se posicionar como líder global nessa conciliação.
O governador também comentou a importância da infraestrutura sustentável, como ferrovias e hidrovias, que emitem menos gases de efeito estufa em comparação com rodovias. Ele defendeu que esses modais logísticos, se bem planejados e com mitigação de impactos, são estratégicos para aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro sem comprometer o meio ambiente. “É preciso tratar os projetos com responsabilidade, levando em conta as áreas impactadas”, afirmou.
Sobre os preparativos para a COP30, que ocorrerá em Belém em 2025, Barbalho garantiu que todas as obras estão no prazo e serão entregues até o evento. Para lidar com a alta demanda por hospedagem, o governo está ampliando a capacidade hoteleira da capital para cerca de 50 mil leitos, com a construção de novos hotéis, retrofit de escolas e até a chegada de navios que servirão como hospedagem flutuante. O objetivo é garantir hospitalidade com preços acessíveis e estrutura adequada.
Na área ambiental, o governador celebrou a sanção da nova Lei de Responsabilidade Ambiental, que eleva o investimento estadual em sustentabilidade de R$ 100 milhões para R$ 1 bilhão. Esses recursos virão das taxas de mineração e hídricas, sendo aplicados em ações de comando e controle, reflorestamento e incentivo à produção sustentável de culturas como açaí e cacau. “Essa é uma política de Estado que transforma a agenda ambiental em algo estruturante”, declarou.
Outro ponto de destaque foi a política de rastreabilidade da pecuária paraense. Barbalho anunciou que o estado está comprometido com a meta de garantir rastreabilidade individual de todos os animais até 2026. A iniciativa visa assegurar ao consumidor a origem do produto e garantir conformidade com padrões ambientais. O foco, segundo ele, é apoiar principalmente os pequenos produtores, com até 100 hectares, que muitas vezes carecem de estrutura para cumprir exigências legais.
Por fim, o governador reforçou a importância do mercado de carbono como oportunidade econômica para a Amazônia. Ele defende que a floresta viva deve valer mais que a floresta morta e que o Pará está se posicionando para liderar esse novo mercado global. Os recursos captados serão destinados aos povos indígenas, quilombolas, extrativistas e produtores rurais que adotem práticas sustentáveis. “Não é possível proteger a floresta custando o sofrimento social de quem vive nela”.
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