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Mesa de Mercado · CEPEA
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Farinha de subprodutos de aves avança nas rações de salmão

Empresas norueguesas ampliam o uso de proteína avícola nas rações, enquanto estudos avaliam desempenho e aceitação do ingrediente.

Empresas norueguesas de criação de salmão vêm incorporando farinha produzida a partir de subprodutos de aves como alternativa parcial às fontes convencionais de proteína nas rações. A busca por ingredientes que reduzam a dependência da farinha de peixe, sujeita a oscilações de oferta e preços, pode abrir um mercado adicional para a indústria avícola.

O ingrediente é obtido pelo processamento de materiais como vísceras, pele e ossos que não seguem para consumo humano. Para utilização na alimentação de peixes, sua produção deve observar requisitos sanitários e controles de qualidade, incluindo cuidados para evitar contaminação cruzada.

Adoção amplia oportunidades para a avicultura

A Lerøy Seafood informa que passou a utilizar subprodutos avícolas em suas rações em 2025. No relatório de sustentabilidade da companhia, ingredientes de origem avícola representaram 2% da composição das rações utilizadas naquele ano. Em 2026, a Grieg Seafood também incorporou farinha e óleo de frango, enquanto a SalMar iniciou testes com esses ingredientes.

Para os frigoríficos e processadores de aves, a demanda da aquicultura pode ampliar os destinos comerciais desses materiais. O valor do produto, entretanto, depende da regularidade do fornecimento, da composição nutricional e das exigências das fábricas de ração.

Farinha proteica de subprodutos avícolas pode ser incorporada às rações para salmão, conforme critérios de qualidade e equilíbrio nutricional.

Pesquisa avalia desempenho nutricional

Um estudo publicado em 2025 na revista Aquaculture Reports acompanhou 435 mil salmões-do-atlântico durante 11 meses. As dietas experimentais substituíram 5% ou 10% da proteína bruta por farinha de subprodutos avícolas. Os pesquisadores não identificaram diferenças significativas entre os grupos quanto ao crescimento, à mortalidade, à conversão alimentar e aos parâmetros de qualidade dos filés.

Uma revisão científica publicada em 2026 na Animal Feed Science and Technology ressalta, porém, que a farinha de aves não é equivalente à farinha de peixe em todas as formulações. Digestibilidade, teor de cinzas, processamento e equilíbrio de aminoácidos essenciais precisam ser considerados para evitar perdas de desempenho.

Aceitação do consumidor ainda é desafio

A aceitação do público também influencia o avanço desse mercado. Pesquisa do instituto norueguês Nofima com mais de mil consumidores na França e na Inglaterra identificou resistência à ideia de alimentar salmões com ingredientes de frango, especialmente quando faltam explicações sobre sua origem e finalidade.

O Nofima mantém até 2027 um projeto para estudar a qualidade da farinha de aves, os efeitos sobre os peixes e a percepção dos consumidores. Assim, o crescimento desse mercado dependerá tanto da viabilidade nutricional e econômica quanto da confiança de varejistas e compradores.

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