Por Caroline Mendes, de São Paulo (SP) | caroline@dc7comunica.com.br
A força do Brasil no mercado global de proteínas e os principais desafios das cadeias de carne bovina, aves, suínos e ovos foram debatidos por líderes do setor durante o painel A Revolução no Setor de Proteína Animal, no Gaffff 2025. Participaram da conversa Fábio Stumpf (BRF), Leandro Pinto (Mantiqueira Brasil) e Marcos Flávio Teixeira Pereira (Frisa Frigorífico Rio Doce S.A.), com mediação de João Otávio Figueiredo, da DATAGRO Pecuária.
Um dos pontos centrais da discussão foi a queda do consumo interno de carne bovina, projetada em 5 kg per capita entre 2024 e 2025 — uma redução de cerca de 20%. A demanda externa, segundo os especialistas, será a principal responsável por manter a rentabilidade da cadeia neste ano.
A eficiência sanitária brasileira foi destacada como diferencial competitivo. Fábio Stumpf ressaltou a atuação ativa dos serviços de inspeção nos estados do Sul e o papel do Sistema Brasileiro de Inspeção como garantidores da credibilidade internacional. “O Brasil foi um dos últimos países a registrar casos de influenza aviária e respondeu de forma rápida, transparente e eficaz”, afirmou. Para ele, a confiança internacional no setor está ancorada na transparência e na solidez dos protocolos adotados.
Leandro Pinto reforçou o reconhecimento internacional da qualidade da produção brasileira, citando a surpresa positiva de investidores estrangeiros ao visitarem plantas nacionais. Ele defendeu maior unificação da comunicação institucional do setor, para combater desinformações e reforçar a imagem positiva do Brasil no exterior. “A gente precisa falar mais alto, de forma organizada e estratégica. O país é referência em sanidade e boas práticas, mas ainda precisa ajustar sua narrativa”, afirmou.

Marcos Flávio Teixeira abordou a integração entre a produção de grãos e proteína animal, que vem ganhando força, especialmente com o avanço do etanol de milho. Ele afirmou que a originação de grãos, antes um ponto crítico, hoje está mais estruturada graças a parcerias e contratos mais justos entre produtores e indústria. “A cadeia está mais madura e resiliente. E o uso de ingredientes alternativos, como DGS e sorgo, mostra nossa capacidade de adaptação”, disse.
Outro tema abordado foi a escassez de mão de obra, que já afeta frigoríficos e granjas no Brasil e é uma realidade consolidada em mercados como os Estados Unidos. Para os painelistas, o caminho é a automatização crescente das operações e o investimento contínuo em qualificação profissional.
Ao final da conversa, os participantes reforçaram que o Brasil tem todas as condições para seguir como protagonista global na produção de proteína animal — desde que continue apostando em inovação, sanidade e comunicação estratégica. “Somos a fazenda do mundo. E, com responsabilidade, podemos ser a maior garantia de segurança alimentar do planeta”, concluiu Leandro Pinto.
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