Marcelo Macaus, da Redação
A hiperprolificidade, definida como a capacidade da fêmea suína produzir leitegadas numerosas com mais leitões nascidos vivos e viáveis, foi o tema central de um painel realizado no 17º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), em Chapecó (SC). A discussão reuniu Amanda Pimenta Siqueira, Marcos Lopes, Geraldo Shukuri e Thomas Bierhals, profissionais com experiência em melhoramento genético e gestão técnica de sistemas produtivos.
Amanda Pimenta (foto em destaque), gerente de Serviços Técnicos da Agroceres PIC, destacou que parte expressiva do crescimento da produção de carne suína nos últimos anos veio da hiperprolificidade e da eficiência nas granjas. Segundo ela, explorar todo o potencial genético exige integração entre áreas como nutrição, manejo e ambiência, além de ajustes estruturais e tecnológicos para atender às demandas das fêmeas modernas.
Marcos Lopes, diretor técnico da Topigs Norsvin no Brasil, apresentou dados que mostram a evolução no país de 24 para cerca de 30 leitões desmamados por fêmea ao ano desde 2008, com algumas granjas atingindo 37. Ele ressaltou a importância de tecnologias como nutrição de precisão e tomografia para avaliar estrutura óssea, longevidade e comportamento, reforçando que práticas antigas podem não atender às exigências atuais.
Geraldo Shukuri, diretor-técnico da DanBred Brasil, abordou o equilíbrio entre grandes leitegadas, sobrevivência e desempenho. Segundo ele, avanços como a seleção genômica reduziram a mortalidade e aumentaram a produtividade, com granjas alcançando até 5 mil quilos de carne por matriz. Para obter esses resultados, afirmou, é essencial compreender as características de cada linhagem e aplicar manejo específico para extrair o máximo de desempenho.

Thomas Bierhals, diretor-técnico da DNA South America, destacou a importância da preparação da futura matriz, manejo adequado de colostro e uso de mães de leite. Ele defendeu o conceito de “hiperprolificidade estendida”, que inclui não apenas aumentar o número de nascidos, mas garantir animais mais eficientes ao abate.
Entre os desafios citados por Bierhals estão a perda de 11% dos nascidos vivos antes do desmame, custos nutricionais e sanitários crescentes, questões estruturais e a limitação de mão de obra qualificada. Para ele, o melhoramento genético deve fornecer animais mais autossuficientes, reduzindo a dependência de manejo intensivo e infraestrutura complexa, o que facilita o trabalho no campo.
O painel concluiu que a hiperprolificidade deve ser tratada como estratégia integrada, combinando genética, manejo, nutrição, ambiência e capacitação de equipes, de forma a transformar avanços tecnológicos em resultados sustentáveis e competitivos na produção suinícola.

Fonte: MB Comunicação Empresarial/Organizacional, adaptado pela equipe FeedFood
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