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Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.453,55=
Bezerro SPR$ 3.286,99=
Boi GordoR$ 366,50=
Soja PRR$ 154,35=
Soja PortoR$ 160,90=
MilhoR$ 68,58=
Suíno Carc.R$ 8,50=
Suíno PRR$ 5,44=
Suíno SCR$ 5,33=
Suíno SPR$ 5,84=
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Bezerro SPR$ 3.286,99=
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Escolha de touros para a estação de monta exige avaliação genética e desempenho a campo

Especialista alerta que o registro de Puro de Origem não garante superioridade genética.

Com a aproximação da estação de monta, a escolha dos reprodutores torna-se uma das decisões estratégicas para a produtividade e a rentabilidade da pecuária de corte. Características como fertilidade, ganho de peso, adaptação às condições da propriedade e potencial genético dos descendentes precisam ser consideradas pelos pecuaristas na definição dos animais que irão compor os lotes de reprodução.

O alerta é de Maury Dorta, supervisor de raças taurinas e compostas do programa Geneplus, que chama a atenção para uma distinção importante na seleção de bovinos: o registro de Puro de Origem (PO) comprova a genealogia do animal, mas não assegura, por si só, que ele seja um reprodutor geneticamente superior. “Nem todo macho PO é touro. Pelo contrário, só uma parte deles deverá ser considerada assim, aqueles que forem geneticamente superiores, que participem de programas de melhoramento e tiverem as condições funcionais e raciais dentro do que se espera para um touro trabalhar com eficiência a campo”, afirma o especialista.

Avaliação genética orienta a escolha dos reprodutores

Entre as ferramentas disponíveis para apoiar a seleção estão as Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs), indicadores que estimam o desempenho médio esperado dos descendentes de determinado reprodutor para características avaliadas pelos programas de melhoramento genético.

Essas informações ajudam o produtor a comparar touros e identificar aqueles mais alinhados aos objetivos de produção da propriedade. O peso à desmama, o peso ao sobreano, as características reprodutivas e os atributos de carcaça estão entre os critérios que podem orientar a seleção, conforme o sistema de produção e o mercado atendido.

O impacto econômico também deve fazer parte da análise. Segundo Dorta, diferenças genéticas estimadas de 10, 15 ou até 20 quilos por animal podem representar ganhos relevantes de receita, dependendo das características avaliadas, dos reprodutores comparados, do número de descendentes e do preço do quilo vivo.

O especialista ressalta ainda que a seleção genética deve abranger toda a estação de monta. Mesmo nas propriedades que utilizam a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), os touros destinados ao repasse influenciam o potencial produtivo da safra.

Por isso, a recomendação é priorizar reprodutores avaliados em programas de melhoramento também nessa etapa, buscando consistência genética no conjunto dos animais produzidos.

Santa Gertrudis é utilizado em cruzamentos industriais

A experiência de produtores que utilizam a raça Santa Gertrudis em cruzamentos industriais ilustra como a escolha dos reprodutores pode estar associada aos objetivos de ganho de peso, rusticidade e adaptação ao ambiente.

Em Teodoro Sampaio, na Bahia, o engenheiro agrônomo e pecuarista Stélio Portinoi, com mais de 40 anos de experiência na atividade, relata resultados positivos com o uso de touros da raça em matrizes Nelore e fêmeas F1 Angus.

Em um dos lotes, os bezerros cruzados foram desmamados aos oito meses, com peso médio de 259 quilos. Segundo o produtor, a decisão de utilizar a raça foi motivada pela expectativa de obter animais rústicos e com maior peso à desmama. “Escolhi reprodutores da raça depois de uma pesquisa em que tive a informação de que produziam bezerros rústicos e pesados ao apartar, e isso se confirmou plenamente no campo”, afirma Portinoi.

O pecuarista também destaca a adaptação dos touros às condições da propriedade, que possui pastagens em solo de massapê e tanques escavados que, ao secarem, deixam áreas com pontas de solo capazes de provocar lesões nos cascos. De acordo com seu relato, os animais não apresentaram esses problemas e mantiveram boa libido e índices de prenhez considerados satisfatórios nos cruzamentos realizados.

Portinoi também observa que os bezerros nascem relativamente pequenos e apresentam ganho de peso ao longo do desenvolvimento, com resultados positivos tanto para machos quanto para fêmeas. A experiência, segundo ele, contribuiu para tornar a propriedade uma referência regional na comercialização de bezerros de cruzamento industrial.

Resultados de campo reforçam o interesse pelo cruzamento

Em Zé Doca, no Maranhão, o pecuarista Ricardo Alves, que atua há 15 anos na criação de bovinos, também utiliza touros Santa Gertrudis em matrizes Nelore comerciais.

Segundo Alves, a comparação entre bezerros filhos de reprodutores Nelore e Santa Gertrudis, em condições semelhantes de criação, indica diferenças favoráveis ao segundo grupo no peso à desmama. “Nas mesmas vacas em que insemino com touros Nelore de cabeceira, quando vamos apartar os bezerros, os filhos do Santa Gertrudis conseguem um peso a mais, entregando um bezerro ainda mais pesado do que o Nelore puro”, relata.

O produtor também destaca a habilidade materna e a produção leiteira das fêmeas resultantes dos cruzamentos. Os relatos, entretanto, refletem experiências específicas de campo e devem ser considerados em conjunto com avaliações genéticas e indicadores zootécnicos para orientar decisões em outras propriedades.

Estratégia deve considerar o sistema de produção

A definição dos critérios de seleção depende das metas de cada fazenda, das condições ambientais, do manejo e do tipo de animal demandado pelo mercado. Um sistema voltado à produção de bezerros pesados à desmama, por exemplo, pode priorizar características diferentes daquelas consideradas em propriedades que buscam desempenho na terminação ou atributos específicos de carcaça.

No caso da raça Santa Gertrudis, o programa de melhoramento avalia características que vão do peso ao nascimento aos atributos de carcaça. O sumário de touros da raça, publicado semestralmente, reúne informações que auxiliam na comparação dos reprodutores.

Para o pecuarista, a principal recomendação é combinar avaliação genética, características funcionais, fertilidade e desempenho observado na propriedade. A escolha de reprodutores alinhados aos objetivos do sistema produtivo pode contribuir para melhorar os resultados dos cruzamentos e aumentar a eficiência da pecuária de corte.

Com a estação de monta se aproximando, a decisão de compra deve ir além do registro racial ou da aparência do animal. A seleção criteriosa de touros, incluindo aqueles utilizados no repasse, é uma das ferramentas disponíveis para construir uma safra com maior potencial produtivo e econômico.

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