Na bovinocultura leiteira moderna, a maximização do consumo de matéria seca (CMS) é um dos pilares mais críticos do manejo nutricional. Vacas em início de lactação vivem sob balanço energético negativo, com reflexos diretos em queda de produção, perda de escore corporal e maior incidência de doenças metabólicas no periparto. Apesar dos avanços da nutrição de precisão, uma variável de grande impacto permanece subestimada pelos nutricionistas:
A palatabilidade da ração determina a taxa de ingestão nos momentos iniciais de cada refeição e, consequentemente, o volume total consumido ao longo do dia. Em confinamento, onde não há livre escolha de forragens, o perfil sensorial da ração define quanto o animal efetivamente consome e quanto ele seleciona ou rejeita no cocho. A limitação é mais severa nas dietas que incorporam ingredientes de menor apelo sensorial, como silagens de qualidade variável, forrageiras fibrosas e subprodutos agroindustriais. Bovinos é a espécie que possui o maior número de papilas gustativas, o que o torna mais seletivo frente a parâmetros sensoriais da dieta, quando comparado aos monogástricos.
Para proporcionar uma maior aceitabilidade a dietas, investem no uso de edulcorantes, os quais se divem em sintéticos/artificiais, criados em laboratórios (são exemplos: Sucralose, Aspartame, Sacarina, Neospiridina), e naturais, derivados de plantas/frutas (são exemplos: Stevia, Taumatina, Xilitol, Eritritol, dentre outros).

Deste Modo, quatro edulcorantes de alta intensidade sustentam essa estratégia de persistência e sinergismo. A sacarina sódica aumenta o CMS, a produção de leite corrigida para gordura e/ou energia e a concentração de AGV (ácidos graxos voláteis) e butirato ruminais, sem resíduos detectáveis no leite. A Neohespiridina confere doçura de longa duração e mascara sabores amargos, ampliando a janela de inclusão de subprodutos de menor custo, sem perda de consumo. O Esteviosídeo tem efeito linear sobre o CMS de forragem e da dieta total, com melhora da digestibilidade da FDN e FDA. A Taumatina é amplamente conhecida por ser amplificadora de sabor, trazendo grande intensidade e persistência, mas sem o conhecido “aftertaste” descrito como o sabor metálico/amargo presente em outros edulcorantes.

A combinação da taumatina com outros edulcorantes, como por exemplo o esteviosídeo aumenta a persistência do sabor, sem um pico de dulçor, que está muito associado ao aftertaste. Isso traz uma associação positiva ao alimento, estimulando de forma significativa o consumo. É esse o princípio da formulação SWEETII: antecipar o consumo inicial da dieta através da ação dos edulcorantes sacarina sódica e neohespiridina e permitir um consumo contínuo e persistente, pela ação dos edulcorantes esteviosídeo e taumatina. Essa associação possui sólido histórico regulatório e segurança confirmada para a produção de leite.
Para consultores técnicos, zootecnistas e responsáveis técnicos de indústrias de rações, os palatabilizantes com ingredientes sinérgicos são uma estratégia de alto valor agregado, com retorno econômico mensurável nos bovinos leiteiros.



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