O Curso TIP Brasil 2026 reúne capacitação técnica da bovinocultura e conecta ciência, prática e gestão. O evento reforça papel estratégico da Terminação Intensiva a Pasto para ampliar a rentabilidade da pecuária brasileira.
Promovido pela Coan Consultoria e Academia da Pecuária, com apoio da APTA Regional de Colina/SP está reunindo em Goiânia (GO) especialistas renomados e profissionais de destaque do setor para discutir as melhores práticas e inovações relacionadas à Terminação Intensiva a Pasto, com foco em aumento de produtividade, eficiência e rentabilidade dos sistemas de produção.
A busca por maior eficiência produtiva e rentabilidade por hectare tem impulsionado a adoção de tecnologias cada vez mais estratégicas dentro da pecuária de corte brasileira. Entre elas, a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) se consolida como uma das principais ferramentas para intensificação sustentável dos sistemas produtivos, especialmente em um cenário de pressão por margens e melhor uso dos recursos disponíveis.
É nesse contexto que, surge como um dos principais eventos técnicos do país voltados à difusão de conhecimento aplicado sobre o tema. O encontro reúne produtores, técnicos, consultores e pesquisadores com o objetivo de aprofundar estratégias que permitam aumentar a produtividade sem comprometer a viabilidade econômica dos sistemas.
O Curso TIP Brasil 2026 tem o objetivo de promover a capacitação técnica do setor, conectando ciência, prática e gestão. De acordo com o zootecnista Rogério Coan, diretor da Coan Consultoria, a TIP representa uma mudança de mentalidade na gestão da pecuária. “Não se trata apenas de suplementar animais no pasto, mas de estruturar um sistema altamente eficiente, baseado em planejamento nutricional, manejo de pastagens e controle rigoroso de indicadores. O foco está na margem por hectare, e não apenas no ganho por animal”, destaca. “Em um cenário de crescente competitividade, iniciativas como essa são essenciais para fortalecer a pecuária brasileira e garantir sua sustentabilidade econômica no longo prazo”, afirma.

A Terminação Intensiva a Pasto permite antecipar o abate, melhorar o giro de capital e reduzir a idade dos animais, fatores diretamente ligados ao aumento da eficiência produtiva. Além disso, contribui para a diluição de custos fixos e melhor aproveitamento das áreas, especialmente durante o período das águas, quando há maior disponibilidade de forragem.
A TIP tem se consolidado como uma estratégia importante na bovinocultura moderna, especialmente em países com forte vocação para a produção de carne a pasto, como o Brasil. Esse sistema consiste em intensificar o ganho de peso dos animais ainda em regime de pastejo, utilizando suplementação nutricional estratégica, manejo adequado das pastagens e, muitas vezes, alta lotação. Sua importância está diretamente ligada à capacidade de aumentar a produtividade por área, reduzir o tempo de abate e melhorar a eficiência do sistema produtivo sem depender exclusivamente de confinamentos.
Historicamente, a pecuária extensiva predominou por décadas, caracterizada por baixa produtividade e pouco controle sobre o desempenho dos animais. Com o avanço das tecnologias e a maior demanda por carne de qualidade, surgiu a necessidade de sistemas mais eficientes. Nesse contexto, a TIP evoluiu como uma alternativa intermediária entre o sistema extensivo tradicional e o confinamento intensivo, permitindo maior controle nutricional sem abrir mão dos benefícios do pastejo, como menor custo estrutural e melhor bem-estar animal.
A evolução da TIP está fortemente associada ao desenvolvimento de técnicas de manejo de pastagens, como a adubação, a irrigação e o uso de cultivares mais produtivas. Além disso, a nutrição animal avançou significativamente, possibilitando a formulação de suplementos energéticos e proteicos específicos para cada fase do animal. O uso de tecnologias como cercas elétricas, divisão de piquetes e monitoramento do desempenho também contribuiu para tornar o sistema mais eficiente e previsível.
Outro ponto relevante é o impacto econômico da TIP. Ao reduzir o tempo necessário para que o animal atinja o peso de abate, o produtor consegue aumentar a rotatividade do rebanho e melhorar o fluxo de caixa da propriedade. Além disso, a intensificação a pasto pode apresentar custos menores em comparação ao confinamento, especialmente quando há boa disponibilidade de forragem. Isso torna o sistema acessível a diferentes perfis de produtores, desde pequenos até grandes pecuaristas.
Por fim, a TIP também apresenta vantagens ambientais quando bem manejada. A maior eficiência produtiva contribui para a redução da emissão de gases de efeito estufa por quilo de carne produzido, além de possibilitar melhor uso do solo e recuperação de áreas degradadas. Dessa forma, a Terminação Intensiva a Pasto representa um avanço importante rumo a uma pecuária mais sustentável, produtiva e alinhada às exigências do mercado contemporâneo.
A programação do Curso TIP Brasil 2026 foi estruturada para atender justamente essa demanda por aprofundamento técnico e visão sistêmica. O conteúdo abrange desde fundamentos da tecnologia até estratégias avançadas de manejo nutricional, planejamento forrageiro, análise de custos, gestão de risco e gestão de pessoas.
Outro diferencial do evento é a abordagem prática e orientada à tomada de decisão. Os participantes terão acesso à dados reais de campo, estudos de casos e ferramentas que podem ser aplicadas diretamente em suas propriedades, reduzindo erros de implementação e acelerando resultados.
Para Rogério Coan, a disseminação desse conhecimento é fundamental para o futuro da pecuária nacional. “A pecuária brasileira precisa evoluir em eficiência. A TIP é uma das principais alavancas para isso, pois permite produzir mais carne na mesma área, com maior previsibilidade e controle. O curso tem justamente o papel de capacitar profissionais e produtores para essa nova realidade”, ressalta. “A TIP cresce porque ela é democrática, diferentemente do confinamento, que envolve uma operacionalização e investimento maiores quando comparado a TIP”, afirmou. destacou. “A TIP hoje evoluiu muito, principalmente em termos nutricionais, que ela ‘entrega’ o resultado muito semelhantes ao confinamento, porém com um custo muito mais baixo”, disse.
Além do impacto econômico, a intensificação dos sistemas por meio da TIP também está alinhada às demandas atuais por sustentabilidade. Ao aumentar a produtividade por área, a tecnologia contribui para reduzir a pressão por abertura de novas áreas, promovendo uma pecuária mais eficiente do ponto de vista ambiental.
Segundo Flávio Dutra de Resende, pesquisador e diretor da APTA Regional de Colina/SP, a tecnologia já apresenta resultados consistentes em diferentes regiões do país. “A TIP é uma ferramenta consolidada do ponto de vista técnico. Quando bem executada, ela proporciona ganhos expressivos de desempenho e melhora significativa nos indicadores econômicos da atividade. O desafio está na correta implementação e no entendimento do sistema como um todo”, afirma.
Temas do primeiro dia
Os temas do primeiro dia durante o evento passaram por pelo impacto do preço de reposição na tomada de decisão do meu negócio, com Rogério Goulart, Pecuarista e Editor Chefe da Carta Pecuária e como a gestão de pessoas pode construir resultados sustentáveis no meu negócio, com Ricardo Arantes, Zootecnista / Sócio/-Proprietário da TRI Comunicação e Treinamento.
Além destes assuntos, fizeram parte a definição da melhor estratégia de gestão de preços do boi gordo diante do mercado de commodities agrícolas em 2026, com Thiago Bernardino de Carvalho, Professor e Pesquisador ESALQ/Cepea e como calcular as métricas na TIP e como elas se relacionam com o lucro da operação, com Antonio Chaker El-Memari Neto, Coordenador do Inttegra – Instituto de Métricas Agropecuárias.
“Mostrei quais são as vantagens dessa técnica, uma tecnologia que vem crescendo, vem ganhando importância. A gente tinha muita produção a passo, depois a terminação do confinamento, aí a gente tem a terminação de um passo, confinamento, semi-confinamento, agora muita tecnologia focando no passo”, afirmou Bernardino. “O mercado está passando por um período de ciclo pecuário, reversão do ciclo, então preços mais altos da reposição do boi magro e, consequentemente, pós-boi gordo, mas a gente tem um período que a gente olha que é o meio do ano, final da safra, começo da entre-safra, mais animal disponível por causa da falta de pasto, então somado a um ambiente externo onde a China está colocando cotas, isso pode fazer com que sobre mais animal e carne no nosso mercado, então pode trazer volatilidade”, afirmou.

Como calcular as métricas nativas e como elas se relacionam com o mundo na alteração: Segundo Chaker, o importante é dizer primeiro como elas se relacionam. “A gente tem as métricas de linha de olho, que são do dia a dia, como score de fezes, score de condição corporal, leitura de coxo, que se relacionam com outra camada de métrica que são as métricas de linha do meio, como ganho de peso, desembolso para rouba, desembolso cabeça a mesa”, destacou.
“E aí vem pra métrica final que é o resultado por boi, que é o lucro mesmo da operação. E como que a gente calcula o lucro de uma operação de gado? Exatamente da mesma forma que as outras operações. Quanto a gente faturou, menos quanto a gente gastou. Então a partir desse momento que a gente tem todas essas informações que é muito fácil a gente calcular esse resultado”, disse.

“A TIP é uma atividade técnica muito inclusiva, porque uma grande fazenda pode ter ela na fazenda e um pequeno produtor com menos de 30 cabeças de gado pode ter. Então a adesão é muito grande, muito maior que as outras tecnologias na sua largada, porque basicamente a pessoa precisa de uma infraestrutura, que é um passo que ele já tem, um coxo que normalmente ele já tem, uma infraestrutura e um trato”, afirmou.
“Um evento como esse, ele traz as pessoas que estão estudando, desenvolvendo e aplicando as principais inovações na pecuária. Então, todo o set de palestrante, que é de altíssimo nível, traz experiência prática, são pessoas que vivem o dia a dia da fazenda, vivem o dia a dia da pesquisa, o dia a dia da operação”, finalizou.
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