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Mesa de Mercado · CEPEA
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Certificação de soja cresce, mas demanda e custos ainda limitam expansão

Produção certificada pela RTRS alcançou 11,2 milhões de toneladas em 2025; remuneração e acesso de pequenos agricultores seguem como desafios.

Apesar dos avanços tecnológicos e dos mecanismos de monitoramento ambiental, a adoção de padrões de produção responsável ainda alcança uma parcela limitada da soja produzida mundialmente. Ampliar essa participação exige enfrentar obstáculos econômicos, facilitar o acesso dos agricultores à certificação e envolver toda a cadeia na divisão de responsabilidades.

Na Conferência Internacional da Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS), realizada em setembro de 2026, em Amsterdã, nos Países Baixos, o especialista Mark Stevenson citou a estimativa de que a soja certificada pelo padrão RTRS corresponderia a 1,9% da produção global. A metodologia desse percentual não foi detalhada nas informações divulgadas sobre a apresentação.

Os números mais recentes da organização mostram crescimento. Em 2025, a RTRS registrou 11,2 milhões de toneladas certificadas, aumento de 40% sobre o ano anterior, em cerca de 3 milhões de hectares. A adoção de material certificado alcançou 8,1 milhões de toneladas, alta de 9,5%. Esse último indicador inclui diferentes modalidades de aquisição, como material físico e créditos de apoio à produção responsável.

Incentivos e inclusão no campo

Para que esse avanço se sustente, precisamos aproximar a oferta certificada de compromissos comerciais concretos. O produtor assume gastos com documentação, adequações de manejo, auditorias e gestão, mas nem sempre encontra previsibilidade de compra ou remuneração compatível com o investimento realizado.

A colheita mecanizada de soja ilustra os desafios de ampliar a certificação socioambiental e a rastreabilidade na cadeia produtiva, garantindo condições economicamente viáveis aos agricultores. Crédito: Reprodução.

A participação dos pequenos agricultores torna essa discussão ainda mais importante. Segundo a RTRS, aproximadamente 83 mil dos 84 mil produtores certificados considerados em levantamento de 2026 eram de pequeno porte, com destaque para Índia e Uganda. A certificação em grupo demonstra uma possibilidade de inclusão, embora persistam barreiras técnicas e financeiras.

Compradores, indústrias, instituições financeiras e produtores precisam compartilhar os desafios da transição. Sem mecanismos que reconheçam os custos de manutenção da certificação, o aumento dos volumes disponíveis não garante, por si só, a ampliação duradoura da produção responsável.

Rastreabilidade além das normas

O Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) amplia a atenção sobre a origem das mercadorias. Suas exigências passam a ser aplicadas a grandes e médios operadores em dezembro de 2026 e à maioria dos pequenos e microoperadores em junho de 2027.

Satélites, bases geoespaciais e sistemas digitais contribuem para rastrear a produção e identificar riscos. Entretanto, a certificação voluntária não substitui as verificações legais exigidas pelo EUDR, nem elimina a necessidade de avaliar os resultados ambientais, sociais e econômicos das práticas adotadas.

Após duas décadas de atuação da RTRS, a principal tarefa continua sendo transformar compromissos individuais em iniciativas de alcance coletivo. Produzir de maneira responsável precisa ser uma possibilidade economicamente viável para agricultores de diferentes portes, com participação efetiva de todos os elos da cadeia.

Por Marina Muscolo, diretora-executiva da Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS)

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