Abre em uma nova aba
Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.453,55=
Bezerro SPR$ 3.286,99=
Boi GordoR$ 366,50=
Soja PRR$ 154,35=
Soja PortoR$ 160,90=
MilhoR$ 68,58=
Suíno Carc.R$ 8,50=
Suíno PRR$ 5,44=
Suíno SCR$ 5,33=
Suíno SPR$ 5,84=
Bezerro MSR$ 3.453,55=
Bezerro SPR$ 3.286,99=
Boi GordoR$ 366,50=
Soja PRR$ 154,35=
Soja PortoR$ 160,90=
MilhoR$ 68,58=
Suíno Carc.R$ 8,50=
Suíno PRR$ 5,44=
Suíno SCR$ 5,33=
Suíno SPR$ 5,84=

Caso de Newcastle pode pressionar preços do frango no Brasil em 2027, avalia Itaú BBA

Restrições às exportações de SC podem redirecionar volumes ao mercado interno e pressionar as cotações.

O aumento da produção brasileira de carne de frango, aliado às restrições comerciais impostas após a confirmação de um foco de doença de Newcastle em Santa Catarina, pode pressionar os preços da proteína no mercado interno no início de 2027. A avaliação é do Itaú BBA, que aponta riscos de desequilíbrio entre oferta e demanda caso os mercados importadores demorem a retomar as compras.

Em relatório sobre o setor, o banco avalia que os efeitos do episódio tendem a ser limitados para a cadeia avícola brasileira como um todo, mas podem ter maior impacto sobre produtores, cooperativas e frigoríficos catarinenses. Segundo a análise, a exposição do estado ao mercado externo amplia a vulnerabilidade regional diante de eventuais embargos prolongados.

Santa Catarina é o segundo maior produtor de carne de frango do Brasil. Em 2025, o estado produziu aproximadamente 1,9 milhão de toneladas, o equivalente a 13,4% da produção nacional. No mesmo período, exportou 1,2 milhão de toneladas, com receita de US$ 2,45 bilhões, respondendo por 22,5% do volume e 25% do faturamento das exportações brasileiras da proteína.

Embargos elevam incertezas para a indústria

A confirmação do foco de Newcastle em uma granja comercial de perus localizada em Nova Itaberaba, no oeste catarinense, levou países importadores a adotar restrições às compras de carne de aves brasileiras.

A China suspendeu as importações de 14 unidades catarinenses entre as 61 plantas brasileiras habilitadas. Arábia Saudita e Chile também implementaram medidas direcionadas ao estado. Já México e Malásia suspenderam as compras de carne de frango de todo o Brasil.

Para o Itaú BBA, a abrangência e a duração dessas medidas serão determinantes para dimensionar os impactos econômicos do episódio. Caso os embarques não sejam normalizados em curto prazo, parte dos volumes inicialmente destinados ao exterior poderá ser redirecionada ao mercado doméstico ou permanecer armazenada por mais tempo, aumentando os custos operacionais e financeiros das empresas.

A possibilidade de realocar as exportações para outros destinos pode atenuar os efeitos dos embargos, mas não elimina os desafios comerciais e logísticos. A mudança de mercados pode exigir renegociação de contratos, ajustes no transporte e maior tempo de armazenamento, com reflexos sobre o fluxo de caixa dos frigoríficos e das cooperativas.

Produção em alta amplia risco de pressão sobre as cotações

O cenário sanitário ocorre em um momento de expansão da oferta brasileira de carne de frango. De acordo com os dados citados pelo banco, os abates de frangos cresceram 3,7% entre janeiro e setembro de 2026, enquanto a produção de carne avançou 6,2%. Para o ano, a expectativa é de crescimento próximo de 6% na produção nacional.

Com maior disponibilidade de produto e possíveis dificuldades para escoar parte dos volumes ao exterior, a indústria pode recorrer a descontos para acelerar as vendas e evitar o acúmulo de estoques. Esse movimento tende a exercer pressão sobre as cotações domésticas, sobretudo se as restrições comerciais persistirem.

O impacto, entretanto, dependerá da velocidade de retomada das compras pelos países que impuseram embargos, da capacidade de redirecionamento dos embarques e do comportamento da demanda brasileira.

O risco ganha relevância diante da possibilidade de o país encerrar 2026 com novo recorde nas exportações de carne de frango. Nesse contexto, a perda temporária de acesso a determinados mercados pode dificultar o escoamento da produção, principalmente para empresas com maior exposição a Santa Catarina.

Entre janeiro e setembro de 2026, a China respondeu por aproximadamente 10% das exportações brasileiras de carne de frango. A Arábia Saudita também figura entre os principais compradores da proteína nacional, com cerca de 327,8 mil toneladas importadas no período, volume equivalente a aproximadamente 8% dos embarques brasileiros.

Primeiro trimestre de 2027 exige atenção

Na avaliação do Itaú BBA, o início de 2027 concentra um risco adicional para os preços do frango. Historicamente, o primeiro trimestre apresenta desaceleração sazonal da demanda, o que pode dificultar a absorção de volumes extras caso parte da produção destinada ao mercado internacional permaneça no Brasil.

A combinação entre crescimento da oferta, restrições às exportações e consumo doméstico sazonalmente mais fraco pode pressionar as cotações e reduzir as margens da indústria. A intensidade desse movimento dependerá também dos estoques disponíveis e da capacidade de absorção do mercado interno.

Os possíveis efeitos não se restringem à comercialização da carne. Uma eventual redução dos abates ou dos alojamentos de aves em Santa Catarina pode repercutir sobre a demanda por milho e farelo de soja, principais componentes da alimentação animal. Ajustes na produção também podem afetar contratos de integração, cooperativas e a remuneração dos diferentes elos da cadeia avícola.

Duração das restrições será decisiva

Apesar dos riscos regionais, o Itaú BBA considera que os efeitos sobre o setor brasileiro tendem a permanecer limitados caso não sejam registrados novos focos da doença e os mercados importadores revisem gradualmente as restrições.

A normalização, porém, dependerá das regras sanitárias adotadas por cada país e da disposição dos compradores em retomar as importações. Em episódios anteriores, os prazos de reabertura variaram conforme o mercado e a possibilidade de regionalização dos embargos.

Nesse cenário, a evolução sanitária em Santa Catarina, as decisões dos países importadores e a retomada dos embarques serão fatores centrais para avaliar os impactos sobre a oferta doméstica, os preços da carne de frango e as margens dos frigoríficos ao longo dos próximos meses.

Você está em
Texto 100%