Mesa de Mercado · CEPEA
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Carne de baixo carbono: retorno ao produtor passa por eficiência e produtividade

Programa Renove combina suporte técnico, certificação e medição de emissões nas propriedades.

Participar do Programa Renove, da Minerva Foods, não gera custo ao pecuarista, segundo a companhia. A adoção e a ampliação de práticas voltadas a uma produção de menor emissão, entretanto, passam por fatores como investimento, conhecimento técnico, acesso a tecnologias e mudanças no sistema produtivo, colocando a viabilidade econômica da fazenda no centro dessa transformação.

Na estratégia apresentada pela empresa, desempenho ambiental e eficiência produtiva caminham juntos. Recuperação de pastagens, manejo adequado do solo e sistemas integrados de produção estão entre as práticas acompanhadas, enquanto indicadores ambientais e produtivos são utilizados para observar a evolução das propriedades e os resultados obtidos ao longo do processo.

Práticas começam dentro da fazenda

Marta Giannichi, Diretora Global de Sustentabilidade da Minerva Foods, explica que o programa busca propriedades capazes de combinar redução de emissões com melhor desempenho produtivo. “No Programa Renove, buscamos propriedades que adotem práticas capazes de aumentar a eficiência produtiva e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões, como recuperação de pastagens, manejo adequado do solo e sistemas integrados de produção”, afirma.

O acompanhamento não se restringe à implantação das práticas. A evolução dos sistemas também é observada por meio de indicadores que permitem avaliar o desempenho da fazenda ao longo do tempo. “Também acompanhamos indicadores ambientais e produtivos que permitam mensurar a evolução da propriedade e os resultados dessas práticas. A ideia é combinar produtividade, conservação dos recursos naturais e redução da pegada de carbono”, acrescenta Marta.

Participação não gera custo ao produtor

Dentro do Renove, a participação do pecuarista não é cobrada pela companhia. O suporte oferecido está direcionado principalmente à orientação técnica e ao uso de ferramentas que auxiliem na identificação de oportunidades para tornar a operação mais eficiente, conectando a agenda ambiental às decisões produtivas da propriedade.

“O Programa Renove não implica nenhum custo para o produtor participante. A nossa atuação é focada no suporte técnico e na disponibilização de ferramentas que ajudem o produtor a entender as oportunidades de melhoria de eficiência e produtividade da fazenda”, destaca Marta. A executiva também aponta o acesso a tecnologia e conhecimento como parte do processo de evolução das propriedades participantes.

Esse trabalho pode avançar até o reconhecimento externo do desempenho alcançado no campo. “Trabalhamos para reduzir barreiras de acesso à tecnologia e ao conhecimento e através do Programa Renove permitimos que os produtores elegíveis alcancem uma certificação de terceira parte de carbono reduzido para sua propriedade que reconhece as boas práticas e desempenho do produtor”, explica.

Retorno econômico passa pela eficiência

Para o pecuarista, a dimensão econômica da produção de menor emissão aparece principalmente na relação entre tecnologia, produtividade e eficiência. A estratégia apresentada pela Minerva procura mostrar como mudanças realizadas no campo podem contribuir não apenas para o desempenho ambiental, mas também para os resultados produtivos da fazenda.

Marta Giannichi, Diretora Global de Sustentabilidade da Minerva Foods: “O principal desafio é fazer com que essas práticas sejam viáveis para diferentes perfis de produtores.” Crédito: Reprodução.

“O Renove foi estruturado para incentivar uma pecuária mais eficiente e de menor emissão. Através do Programa apoiamos os produtores a terem conhecimento do retorno financeiro de tecnologias de campo relacionadas ao aumento de produtividade e eficiência”, afirma Marta. Dessa forma, a discussão sobre carbono entra na gestão da propriedade associada à capacidade de produzir com maior eficiência.

A executiva acrescenta que os efeitos dessas mudanças também podem aparecer na preparação da fazenda para um ambiente de negócios cada vez mais atento ao desempenho ambiental. “O benefício também está na maior preparação da propriedade para as novas demandas ambientais e de mercado”, destaca Marta.

Medição acompanha desempenho no campo

A redução das emissões precisa ser acompanhada para que a evolução de cada sistema produtivo possa ser avaliada. Segundo Marta, o Programa Renove utiliza metodologias reconhecidas internacionalmente e trabalha com verificação independente, dando suporte técnico à avaliação do desempenho das propriedades participantes.

“No Programa Renove, utilizamos metodologias reconhecidas internacionalmente, desenvolvidas em parceria com uma organização independente de terceira parte para verificação e certificação”, explica. O processo busca estabelecer uma base técnica para acompanhar as mudanças implementadas na propriedade e observar como elas se refletem nas emissões ao longo do tempo.

Nesse acompanhamento, informações originadas nas próprias fazendas têm papel central. “A mensuração das emissões é baseada prioritariamente em dados primários das propriedades e em critérios científicos robustos, permitindo avaliar de forma consistente a evolução do desempenho de cada sistema produtivo ao longo do tempo”, afirma Marta.

Para a diretora, a forma como os resultados são medidos também influencia a confiança no processo. “Essa abordagem assegura maior rigor, transparência e credibilidade aos resultados e orienta nossa estratégia de redução das emissões na cadeia”, acrescenta. Assim, práticas implementadas na fazenda, indicadores produtivos e mensuração ambiental passam a fazer parte do mesmo acompanhamento.

Investimento e tecnologia desafiam expansão

Levar essas práticas para um número maior de fornecedores exige considerar realidades produtivas diferentes. Propriedades com distintas estruturas, níveis de tecnificação e capacidade de investimento precisam encontrar condições para incorporar mudanças sem separar a agenda de redução de emissões da viabilidade do negócio.

“O principal desafio é fazer com que essas práticas sejam viáveis para diferentes perfis de produtores. Isso envolve investimento, conhecimento técnico, acesso a tecnologias e, em alguns casos, mudanças importantes no sistema produtivo”, afirma Marta. A fala coloca a capacidade de implementação no centro da expansão da pecuária de menor emissão entre os fornecedores.

Para a executiva, esse avanço precisa ocorrer junto com quem toma as decisões dentro da propriedade. “Por isso, entendemos que a transição precisa ser construída junto com o produtor. Não basta estabelecer uma meta; é preciso oferecer conhecimento, ferramentas e suporte para que ele consiga implementar as práticas e enxergar também os ganhos de eficiência e produtividade que elas podem trazer.”

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