A carne bovina aparece entre as exceções ao cenário de retração das exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2026. Enquanto as vendas classificadas no setor agropecuário recuaram 26,7% entre janeiro e agosto, a carne bovina fresca movimentou US$ 1,46 bilhão no período, alta de 62,2% em valor e de 37,2% na quantidade exportada.
Os dados fazem parte do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com informações do Comexstat. No conjunto da economia, o Brasil exportou US$ 24,1 bilhões aos norte-americanos nos oito primeiros meses do ano, queda de 9,7% frente a 2025 e menor resultado para o período desde 2023.
Carne bovina avança em agosto
Somente em agosto, as exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceram 12,1% em valor, para US$ 3,19 bilhões, mesmo com redução de 17,3% na quantidade embarcada. O resultado foi sustentado principalmente pela alta de 35,7% nos preços médios.
A carne bovina fresca respondeu por US$ 182,2 milhões no mês, salto de 385,1% em valor e de 389,8% em quantidade na comparação anual. Entre as carnes bovinas congeladas isentas das sobretaxas analisadas pelo Monitor, as vendas chegaram a US$ 169 milhões, avanço de 393,6%.

O movimento ocorre enquanto as exportações brasileiras de carne bovina também avançam para outros destinos, reforçando os Estados Unidos como um dos mercados que ganharam participação nos embarques em 2026.
Sobretaxas pressionam outros produtos bovinos
O desempenho não se repete em todos os itens ligados à cadeia pecuária. O sebo bovino, incluído entre os produtos sujeitos às alíquotas adicionais de 25% a 37,5%, acumulou US$ 231,7 milhões em exportações aos Estados Unidos de janeiro a agosto, queda de 39,4% em valor e 43,5% em quantidade. Couros e peles de bovinos recuaram 16,2% em valor.
No total, produtos submetidos às sobretaxas de 25% a 37,5% tiveram queda de 29,1% no acumulado do ano. Já os bens sem sobretaxa recuaram 8,3%.
O contraste mostra que as barreiras comerciais têm efeitos distintos dentro do agronegócio: enquanto alguns derivados bovinos perdem espaço, a carne mantém crescimento no mercado norte-americano.



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