A cadeia de suprimentos tornou-se estratégica para as agroindústrias de proteína animal. Da compra de milho e soja à distribuição de carnes, atrasos, oscilações de preços e falhas no transporte podem comprometer margens, contratos e o abastecimento de produtos perecíveis, que exigem controle de temperatura e cuidados sanitários.
Para Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, compras, estoques, fornecedores e logística precisam ser planejados de maneira integrada. “Hoje, decisões de compras, estoques, logística e fornecedores impactam diretamente custos, margem e competitividade”, afirma. O desafio é equilibrar estoques capazes de evitar rupturas com os gastos de armazenagem e o capital imobilizado.
Insumos e planejamento para evitar rupturas
A importância do abastecimento começa antes da indústria. A 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição, realizada pela Andav e pelo Cepea-Esalq/USP, aponta que os distribuidores respondem por 47% dos insumos que chegam aos produtores brasileiros. Entre as culturas atendidas, soja e milho representam, respectivamente, 43% e 20% da atuação do setor.
Grolli ressalta que custos, mão de obra, crédito e volatilidade ampliam a necessidade de planejamento preventivo. “Se preparar custa menos do que ficar despreparada quando uma crise acontece”, avalia. Para ele, integração e antecipação podem aumentar a resiliência sem necessariamente elevar os custos operacionais.
Friboi acelera entregas com roteirização
Na distribuição de carnes, a Friboi, da JBS, implantou o serviço Entrega Expressa, que utiliza software para calcular rotas considerando a localização de 15 centros de distribuição. A companhia relata um caso de entrega em aproximadamente duas horas e informa operar com cerca de 300 caminhões em São Paulo e 120 no Rio de Janeiro.
Nos primeiros seis meses da iniciativa, São Paulo registrou cerca de 2 mil entregas, mais de 500 toneladas movimentadas e faturamento superior a R$ 16 milhões, conforme dados divulgados pela empresa. No Rio, foram aproximadamente 250 entregas em três meses. “A entrega rápida deixou de ser um diferencial para se tornar uma expectativa do cliente moderno”, afirma Gilmar Schumacher, diretor de Logística da JBS.
Tecnologia exige dados confiáveis
Ferramentas de inteligência artificial, automação e análise de dados podem aprimorar previsões de demanda, estoques e rotas. Sua eficácia, entretanto, depende da qualidade das informações e da integração entre compras, produção, vendas, logística e finanças.
Para Grolli, o futuro envolve a “tomada de decisão baseada em dados, em informações mais seguras e precisas”, aliada à automação. O objetivo é responder às oscilações do mercado sem perder de vista segurança operacional, custos e sustentabilidade.
Confira a matéria completa na edição 233 da Revista Feed&Food.




Nenhuma discussão ainda. Seja o primeiro a comentar.