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Custos logísticos devem atingir R$ 2,2 trilhões no Brasil em 2026 e pressionar cadeia de proteína animal

Estudo do ILOS aponta que despesas com logística equivalem a 16,1% do PIB.

Os custos logísticos no Brasil devem alcançar R$ 2,2 trilhões em 2026, o equivalente a 16,1% do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa é do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) e evidencia a pressão estrutural sobre as despesas de transporte, armazenagem e manutenção de estoques — fatores que afetam a competitividade de setores intensivos em distribuição, como a indústria de proteína animal.

De acordo com o levantamento, o custo logístico nacional permanece em um patamar superior ao observado na última década. O cenário preocupa empresas industriais e varejistas, que já projetam novos aumentos de despesas para 2027, especialmente no transporte.

Para a cadeia de proteína animal, que depende do deslocamento de matérias-primas, insumos e produtos acabados, a evolução desses custos representa um desafio para a eficiência operacional e a preservação das margens.

Juros elevados aumentam custo dos estoques

O estudo do ILOS aponta que, enquanto os custos de transporte oscilam em torno de 9% do PIB desde 2020, as despesas relacionadas aos estoques ganharam participação nos últimos anos.

Em 2020, esse componente correspondia a 2,9% do PIB. Em 2022, chegou a 5%, alcançou 5,6% em 2023 e manteve o mesmo patamar em 2025.

Segundo Maurício Lima, sócio-diretor do ILOS e responsável pelo estudo, a evolução acompanha o ciclo de juros da economia brasileira. Com a taxa Selic elevada, o capital imobilizado em mercadorias passou a representar um custo mais significativo para as empresas, tanto pelo volume armazenado quanto pelas despesas financeiras necessárias para mantê-lo.

Logística consome 9,5% da receita das empresas

Além da análise macroeconômica, o instituto realizou, no primeiro semestre de 2026, uma pesquisa com mais de 100 das maiores empresas industriais e varejistas do país em faturamento.

Os resultados mostram que os custos logísticos consomem, em média, 9,5% da receita líquida das companhias. A participação, porém, varia significativamente entre os setores. Empresas de materiais de construção registram o maior percentual, de 19,8%, enquanto tecnologia e telecomunicações apresentam o menor, de 3%.

A diferença entre os segmentos reforça o peso do perfil operacional, das características dos produtos e das necessidades de movimentação e armazenagem na composição das despesas logísticas.

Empresas esperam novos aumentos em 2027

As perspectivas para o próximo ano indicam continuidade da pressão sobre os custos. Segundo a pesquisa do ILOS, 69% das empresas consultadas esperam aumento nas despesas com transporte em 2027, com alta média projetada de 9,6%.

Na armazenagem, 44% das companhias preveem elevação dos custos, com aumento médio de 5,7%. Já em relação aos estoques, 31% esperam novas altas, com variação média de 7%.

Para Maurício Lima, o cenário aponta para a consolidação de um novo patamar de custos logísticos no país, com impactos sobre as margens empresariais, os preços ao consumidor e a competitividade nacional.

Na cadeia de proteína animal, o avanço das despesas logísticas mantém a eficiência no transporte e na gestão de estoques entre os fatores relevantes para a competitividade das empresas, tanto no mercado interno quanto nas operações de exportação.

O ILOS acompanha a evolução dos custos logísticos brasileiros desde 2004, com frequência anual desde 2014. Os números referentes a 2026 são projeções do instituto, enquanto os indicadores sobre custos em relação à receita líquida e expectativas para 2027 foram obtidos na pesquisa realizada no primeiro semestre deste ano.

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