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ABRA reforça necessidade de oficializar fim da esterilização em farinhas bovinas

Camila Santos, de São Paulo (SP)

A Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) criou, em abril, um Grupo de Trabalho (GT) para discutir a desobrigação da esterilização na produção de farinhas de bovinos, tema que está em pauta na programação paralela da 18ª edição da Fenagra – Feira Internacional da Agroindústria, que ocorre até 15 de maio, em São Paulo (SP). A medida acompanha a atualização do Programa Nacional de Prevenção e Vigilância da Encefalopatia Espongiforme Bovina (PNEEB) e as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que passaram a reconhecer a segurança do produto mesmo sem a exigência de esterilização. Com base nessas mudanças, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou a Portaria SDA nº 1.180/2024.

Segundo Pedro Bittar, presidente da ABRA, a criação do GT — batizado de Produtores de Farinhas e Gorduras Bovinas — é um passo estratégico para alinhar o setor às normas sanitárias nacionais e internacionais. “Essa campanha que estamos fazendo é para que a decisão seja efetivada. Já há aprovação técnica, mas ainda não se colocou em prática essa determinação”, explica. Ele reforça que a medida poderá simplificar o processo produtivo e eliminar custos desnecessários, especialmente em empresas que enfrentam dificuldades com a manutenção ou substituição dos equipamentos usados na esterilização.

A história da ABRA, segundo ele, tem ligação direta com o tema. “A entidade foi fundada há quase 19 anos, justamente por causa da exigência da esterilização. Tivemos que negociar com o Ministério da Agricultura um prazo para implementar o processo, com aquisição de equipamentos homologados”, relembra. A necessidade de esterilização surgiu no contexto da prevenção da Encefalopatia Espongiforme Bovina — também conhecida como doença da vaca louca — e representou, na época, uma exigência para garantir a credibilidade sanitária do Brasil no mercado internacional.

Selo criado para a Campanha está circulando pela Fenagra (Foto: Reprodução)

Apesar da comprovação científica de que o próprio processo industrial já atinge temperaturas suficientes para garantir a segurança das farinhas, o setor ainda aguarda a implementação oficial do fim da exigência. “O que não pode acontecer são decisões serem tomadas e não colocadas em prática. É isso que estamos cobrando”, conclui Pedro.

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