A União Europeia mantém a restrição à entrada de carne de frango e outros produtos brasileiros de origem animal, em vigor desde 3 de setembro, enquanto avança a avaliação dos controles nacionais relacionados ao uso de antimicrobianos. A medida alcança, entre outros produtos, carnes bovina, suína e de aves, ovos, mel e pescados.
O Brasil ficou fora da lista de países considerados aptos a demonstrar conformidade com as novas exigências europeias. As regras proíbem o uso de antimicrobianos para promoção de crescimento e estabelecem restrições a substâncias reservadas ao tratamento de infecções humanas. A decisão não decorreu da identificação de contaminação ou de irregularidade sanitária em cargas brasileiras, mas das garantias exigidas sobre controle e rastreabilidade ao longo da produção.
Auditoria avaliou aves e mel
Uma missão técnica da União Europeia realizou auditoria no Brasil entre 24 de agosto e 4 de setembro, com foco nas cadeias de aves e mel. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os controles sanitários e procedimentos oficiais apresentados durante a inspeção foram considerados satisfatórios pelas equipes europeias.

A avaliação, porém, não significou a reabertura imediata do mercado. Em 7 de setembro, a Comissão Europeia informou que os especialistas ainda preparariam o relatório da missão e que, caso o resultado seja positivo, a reinclusão brasileira dependerá de alteração da lista de países habilitados e da aprovação dos Estados-membros. Não há, até o momento, uma data oficial para a retomada.
Mercado europeu tem maior valor agregado
Em 2025, o Brasil exportou 233,1 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, com receita próxima de US$ 763 milhões. O bloco foi o oitavo maior destino do produto brasileiro em volume.
A restrição ocorre enquanto os embarques brasileiros de frango seguem em expansão. Entre janeiro e agosto de 2026, o país exportou 3,921 milhões de toneladas, alta de 15,5% sobre o mesmo período de 2025.
Para a carne bovina, a Comissão Europeia indica um processo mais complexo, porque exige garantias sobre o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais.



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