Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
A União Europeia anunciou na última quinta-feira (4) o aumento das cotas de importação para produtos agrícolas da Ucrânia, como parte da revisão do Acordo de Livre Comércio entre as partes. A medida representa um novo equilíbrio entre o apoio à economia ucraniana em guerra e as pressões internas de produtores europeus, especialmente do Leste Europeu.
Segundo autoridades europeias, as cotas para o trigo ucraniano serão elevadas de 1 milhão para 1,3 milhão de toneladas por ano. No caso do açúcar, o volume permitido saltará de 20 mil para 100 mil toneladas, enquanto o malte e a cevada passarão de 350 mil para 450 mil toneladas. Já as importações de carne de frango — uma das principais exportações agroindustriais da Ucrânia — poderão chegar a 120 mil toneladas por ano, frente às 90 mil atuais.
Essas mudanças substituem as chamadas Medidas de Comércio Autônomo (ATMs), implementadas em 2022 após o início da guerra, que suspenderam tarifas e cotas para facilitar o escoamento de produtos ucranianos ao mercado europeu. Com o vencimento dessas medidas, a UE decidiu por uma abordagem mais regulada, mas ainda favorável à Ucrânia, prevendo salvaguardas para proteger os produtores europeus em caso de distorções de mercado.

A revisão do acordo ainda precisa ser aprovada formalmente pelos Estados-membros da UE, mas é considerada um passo importante no processo de integração da Ucrânia ao bloco. Como contrapartida, o governo ucraniano deverá acelerar a harmonização de suas normas agrícolas e sanitárias aos padrões europeus até 2028, incluindo regras sobre bem-estar animal, uso de defensivos e controle fitossanitário.
A decisão da UE busca manter o apoio à Ucrânia sem ignorar o descontentamento de produtores europeus, que vêm protestando contra a concorrência de produtos mais baratos vindos do país vizinho. A inclusão de limites nas cotas e mecanismos de monitoramento pretende mitigar tensões internas e preservar o equilíbrio no comércio agrícola do bloco.
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