Por Caroline Mendes – caroline@dc7comunica.com.br
A edição de junho do relatório mensal do Rabobank sobre grãos e oleaginosas no Brasil destaca um cenário de contrastes entre soja e milho. Enquanto os preços da soja permaneceram praticamente estáveis em relação ao mês anterior, o milho sofreu uma queda acentuada de 17% nos preços pagos ao produtor, resultado de uma combinação de fatores internos e externos.
Entre os principais motivos da desvalorização do milho estão as excelentes condições da safrinha, que surpreenderam positivamente em termos de produtividade, a valorização do real frente ao dólar e a repercussão de um caso isolado de gripe aviária no país, que reduziu temporariamente a confiança de alguns compradores internacionais.
De acordo com o levantamento, a colheita da segunda safra de milho avançou bem, especialmente em Mato Grosso, onde os índices de lavouras em condições boas ou excelentes superaram a média dos últimos cinco anos. A combinação de clima favorável e chuvas bem distribuídas em diversas regiões produtoras, como Rio Verde (GO), Lucas do Rio Verde (MT) e Cascavel (PR), sustentou o otimismo com o desempenho da safrinha.

Apesar do bom resultado no campo, os preços mais baixos impactaram as exportações. Em maio, o Brasil embarcou apenas 40 mil toneladas de milho, volume 78% inferior ao registrado em abril e 91% abaixo do mesmo período do ano passado. No acumulado de 2025, as exportações do cereal estão 18% menores em comparação a 2024.
No caso da soja, os embarques somaram 14,1 milhões de toneladas em maio, queda de 8% em relação ao mês anterior. No entanto, o acumulado do ano segue 3% acima do observado em 2024, mesmo em meio à disputa tarifária entre Estados Unidos e China, que tem afetado o comércio global.
A comercialização da safra também chama atenção: em Mato Grosso, cerca de 65% da soja 2025/26 já está vendida, seguindo o ritmo dos últimos anos. Para o milho da safrinha, no mesmo estado, a comercialização ultrapassa os 60%, indicando a busca dos produtores por maior previsibilidade diante da volatilidade do mercado.
Com o avanço da colheita e perspectivas positivas para a produtividade, o Rabobank projeta um cenário de pressão contínua sobre os preços do milho no curto prazo, especialmente se não houver uma recuperação expressiva das exportações ou estímulos de demanda interna. Já para a soja, a expectativa é de que os preços sigam relativamente estáveis, com oscilações pontuais ligadas à dinâmica cambial e ao comportamento da demanda chinesa.
O relatório reforça a importância do monitoramento climático e da gestão de riscos comerciais para os produtores, diante de um mercado cada vez mais sensível a fatores externos e às incertezas do comércio internacional.
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