Por Caroline Mende – caroline@dc7comunica.com.br
Os mercados de milho e soja apresentaram comportamentos distintos nos primeiros dias de julho. Enquanto o milho acumula quedas e atinge os menores patamares do ano no Brasil, os preços da soja registraram alta, impulsionados por mudanças na política tributária da Argentina. As informações são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.
No caso do milho, os preços caíram com força nas principais regiões acompanhadas pelo Cepea, pressionados pela maior oferta no mercado interno e por uma paridade de exportação menos atrativa. Em Campinas (SP), por exemplo, a saca de 60 kg foi negociada a R$ 64,05 na última quinta-feira (4), o menor valor nominal desde setembro de 2024. Na comparação com o início do mês, a queda acumulada é de 4,43%. Segundo pesquisadores do Cepea, o ritmo mais lento da colheita da segunda safra não foi suficiente para conter a pressão de oferta, e produtores têm demonstrado maior flexibilidade nos negócios, enquanto compradores apostam na continuidade das quedas, adquirindo apenas volumes pontuais. Outro fator que agrava o cenário é a limitação na capacidade de armazenagem, que já começa a ser observada em algumas regiões.

Em sentido oposto, os preços da soja apresentaram reação positiva, tanto no mercado interno quanto no internacional. O movimento está relacionado à decisão do governo argentino de elevar as alíquotas de exportação para os derivados da oleaginosa. A partir de julho, a taxa sobre a soja em grão subiu de 26% para 33%, enquanto as tarifas sobre o farelo e o óleo passaram de 24,5% para 31%. O imposto sobre o milho também foi elevado, de 9,5% para 12%. A medida gerou um forte aumento nos embarques argentinos em junho, com antecipações para evitar a nova tributação. Segundo dados da indústria local, as liquidações do setor agroexportador argentino cresceram 87% no mês, somando US$ 3,7 bilhões.
Com o aumento dos custos de exportação na Argentina, principal concorrente do Brasil no mercado internacional de soja, os preços da oleaginosa subiram no Brasil, mesmo diante de um ambiente de demanda externa ainda moderada. Para os analistas do Cepea, essa conjuntura poderá favorecer os produtores brasileiros no médio prazo, com uma possível ampliação das exportações.
Assim, enquanto o milho enfrenta um momento de pressão de oferta e baixa rentabilidade no Brasil, a soja reage a um cenário externo mais restritivo, o que pode influenciar os fluxos comerciais e a competitividade dos produtos brasileiros no mercado global.
LEIA TAMBÉM:
Uso sustentável de áreas úmidas em MT ganha respaldo técnico da Embrapa
Embrapa realiza seminário on-line sobre os rumos da cadeia do leite no Brasil




