A menor disponibilidade de bovinos machos prontos para abate ampliou a diferença de preços em relação às fêmeas no mercado paulista. Na parcial de outubro, até o dia 27, o valor médio pago pelos machos superou o das fêmeas em R$ 33,98 por arroba, maior diferencial para um mês de outubro desde 2022, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgado nesta quinta-feira (29).
Como referência, a diferença registrada em outubro de 2022 foi de R$ 27,71 por arroba. De acordo com pesquisadores do Cepea, o movimento atual está relacionado à oferta mais restrita de machos desde o início de 2026, enquanto a disponibilidade relativa de fêmeas permanece maior, especialmente para o abastecimento do mercado interno.
Arroba do boi gordo avança em São Paulo
O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq, referência à vista para o mercado paulista, fechou 28 de outubro em R$ 389,05 por arroba, com alta diária de 0,71% e valorização acumulada de 6,79% no mês. Já a média a prazo no estado de São Paulo ficou em R$ 393,43 por arroba, avanço de 0,71% no dia e de 6,81% em outubro.

As duas referências acompanham o mercado de boi gordo sob diferentes condições de pagamento. A diferença de preços entre machos e fêmeas, por sua vez, corresponde à comparação das médias dessas categorias no levantamento do Cepea.
Entre dezembro de 2025 e a parcial de outubro de 2026, o preço da arroba do boi gordo acumulou valorização nominal de 18,32% no mercado paulista, enquanto as fêmeas registraram aumento de 13,38% no mesmo período.
Escalas de abate seguem pressionadas
Outro fator que influencia as negociações é a duração das escalas de abate, que representam o número de dias de operação já cobertos pelos animais contratados. Na parcial de outubro, as médias dessas programações recuaram em relação a setembro nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Pará.

Segundo o levantamento, frigoríficos de diferentes regiões trabalham com escalas que variam de cinco a dez dias. Esse cenário exige recomposição frequente das compras e aumenta a importância da disponibilidade de bovinos terminados nas negociações.
O comportamento, entretanto, não é uniforme. No Rio Grande do Sul, a média das escalas passou de 7,17 dias em setembro para 7,75 dias em outubro. Na Bahia, avançou de 6,58 para 6,82 dias no mesmo intervalo.
As diferenças regionais mostram que a oferta de animais e o ritmo das compras seguem influenciando a formação dos preços. Para os frigoríficos, o abastecimento depende da disponibilidade de bovinos prontos para abate e da necessidade de recompor as escalas para as próximas operações.



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