O Plano Safra 2026/2027 disponibiliza R$ 610,3 bilhões em crédito rural para a agricultura empresarial e familiar. Anunciado pelo governo federal em 30 de junho, o programa inclui incentivos a práticas sustentáveis e mecanismos voltados à gestão de riscos na produção agropecuária.
Na avaliação da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, a nova edição avançou ao preservar condições mais favoráveis para linhas associadas à sustentabilidade. O movimento, porém, considera que ainda existem lacunas no seguro rural e no acesso a financiamentos de longo prazo.
Crédito e proteção ambiental
O RenovAgro Ambiental e a linha para Recuperação e Conversão de Pastagens permaneceram entre as modalidades com menores taxas de juros. O plano também concede redução nos encargos de custeio a produtores com Cadastro Ambiental Rural regular e que adotem práticas agropecuárias sustentáveis.
A Coalizão espera ainda que, a partir de 2027, seja aplicada a restrição ao financiamento de projetos relacionados à supressão ilegal de vegetação nativa. Para a entidade, a medida pode ampliar a integração entre a concessão de crédito e a conservação ambiental.

“O Plano Safra avança ao reconhecer que sustentabilidade e gestão de riscos devem fazer parte da política agrícola”, afirma Leila Harfuch, membro do Grupo Estratégico da Coalizão e sócia-gerente da Agroicone.
Gestão de riscos
Apesar dos avanços, Harfuch avalia que o programa deveria priorizar de forma mais ampla o seguro rural e a transição para sistemas produtivos resilientes às mudanças climáticas. A especialista também cita as dificuldades enfrentadas por produtores endividados para acessar crédito de longo prazo e alerta para possíveis condições meteorológicas adversas associadas a um Super El Niño.
Na agricultura familiar, foram reduzidos os juros das linhas Pronaf Agroecologia, Semiárido, Floresta e Bioeconomia. Também houve ampliação do limite para projetos de sistemas agroflorestais e silvicultura, além de reforço aos recursos destinados à assistência técnica.
A Coalizão aponta que ainda faltam medidas para aprimorar o Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), aplicar a Taxonomia Sustentável Brasileira ao crédito rural, fortalecer o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e direcionar recursos para a recuperação de pastagens e o cumprimento do Código Florestal.





