A pecuária de corte brasileira atravessa, em 2026, uma fase de valorização dos animais, com perspectivas de continuidade em 2027 e 2028. Esse cenário favorece os criadores, que têm na venda de bezerros sua principal fonte de receita, mas exige maior eficiência dos recriadores e terminadores, já que o aumento do custo de reposição pode comprometer suas margens, mesmo com a valorização do boi gordo.
Entendendo o ciclo pecuário
O ciclo pecuário é caracterizado por oscilações na oferta e nos preços dos animais, alternando períodos de alta e baixa. Nas fases de baixa, a maior oferta de bovinos para abate pressiona os preços, levando os produtores a intensificarem o descarte de matrizes. Entretanto, essa redução do rebanho reprodutivo diminui a produção de bezerros nos anos seguintes. Com a menor disponibilidade de animais e a recuperação dos preços, os criadores passam a reter mais fêmeas para reprodução, contribuindo para o início da fase de alta.
O preço do bezerro nas fases de alta
Durante as fases de alta, a menor oferta de reposição e a valorização do boi gordo aumentam a procura por bezerros. Consequentemente, seu preço tende a subir proporcionalmente mais que o do boi gordo. Historicamente, o ágio do bezerro apresenta média próxima de 20%, podendo alcançar aproximadamente 40% em períodos de maior valorização, como em 2026.

Esse movimento beneficia os criadores, mas desafia recriadores e terminadores, pois a aquisição dos animais pode representar cerca de 80% do custo total de produção de um boi gordo. Nas fases de baixa, a maior disponibilidade de bezerros reduz o ágio, favorecendo a compra de reposição, embora prejudique a rentabilidade da cria.
A importância do ciclo na tomada de decisão
Compreender o ciclo permite planejar a expansão dos rebanhos, a aquisição de animais e as vendas. Entre os principais indicadores estão os preços do boi gordo, a relação de troca e a participação das fêmeas nos abates.

Um dos principais riscos é expandir o rebanho no auge da valorização. Como o ciclo produtivo da pecuária é longo, o produtor que adquire matrizes a preços elevados pode acabar comercializando sua produção em um período de baixa, comprometendo o retorno do investimento.
Estratégias para os diferentes momentos do mercado
O planejamento produtivo e financeiro é essencial para aproveitar oportunidades e reduzir riscos. Períodos de baixa podem favorecer a aquisição de animais a preços mais competitivos, enquanto ferramentas de gestão de risco de preços ajudam a proteger as margens. A eficiência produtiva também é fundamental em todas as fases, seja pela melhoria das taxas de prenhez e desmame na cria, seja pelo desempenho animal, eficiência alimentar e controle dos custos na recria e terminação. Embora as perspectivas sejam favoráveis, os produtores não devem esquecer a natureza cíclica da atividade. Os períodos de maior rentabilidade devem servir para fortalecer as finanças e formar reservas, permitindo enfrentar futuras baixas e aproveitar oportunidades. Afinal, muitas das oportunidades dos próximos ciclos começam a ser construídas justamente nos períodos de baixa.
Coautores:
Pedro Montagner Conceição Lacroix¹
Luís Felipe Bellebone e Brum²
Anna Elisa Petersen Gatelli³
Júlio Otávio Jardim Barcellos4
Filiação:
¹Graduando de Zootecnia, NESPro/UFRGS
²Eng. Agrônomo, mestrando no PPG Zootecnia, NESPro/UFRGS
³Eng. Agrônoma, mestranda no PPG Agronegócios, NESPro/UFRGS
4 Med. Vet, Professor, Coordenador NESPro/UFRGS



Nenhuma discussão ainda. Seja o primeiro a comentar.