Os preços dos derivados lácteos seguem em queda no mercado atacadista, enquanto a maior oferta de leite e o aumento das importações pressionam as negociações no Brasil. O cenário é apresentado no Boletim do Leite de outubro, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Ao mesmo tempo, o custo de alimentação do rebanho avança e amplia os desafios da produção.
Na produção primária, o preço médio líquido do leite cru captado em agosto foi de R$ 2,8869/litro na “Média Brasil”, com alta real de 0,7% ante julho e de 9,18% frente a agosto de 2025. Apesar da estabilidade, o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) subiu 3,86% no mês, principalmente pela recuperação da oferta no Sul.
Derivados registram novas quedas
Em setembro, o leite UHT negociado no atacado paulista recuou 4,76% ante agosto, para R$ 4,69/litro. A muçarela caiu 2,77%, a R$ 34,91/kg, e o leite em pó fracionado teve baixa mensal de 4,38%, a R$ 29,63/kg. Os percentuais são variações reais, descontada a inflação.
Na primeira quinzena de outubro, a retração continuou no Sudeste: até o dia 15, os preços do UHT caíram 2,32% e os da muçarela, 2,05% frente a setembro, com médias respectivas de R$ 4,54/litro e R$ 34,97/kg. A combinação de maior produção sazonal e importações elevadas tende a manter o mercado pressionado, conforme a avaliação do Cepea.

Importações ampliam oferta interna
As compras externas alcançaram 249,6 milhões de litros em equivalente-leite em setembro, avanço de 8,38% frente a agosto e 25,99% sobre setembro de 2025. Leite em pó e queijos responderam por praticamente todo o volume importado. As exportações somaram 5,57 milhões de litros equivalentes, alta mensal de 6,05%, mas queda anual de 5,96%.
O déficit comercial em volume atingiu 244,03 milhões de litros equivalentes, 8,4% acima de agosto. O indicador expressa volumes convertidos para equivalente-leite, não litros de leite fluido efetivamente transportados.
Nutrição pressiona custos de produção
Em setembro, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira aumentou 0,46% na média nacional, puxado sobretudo pela nutrição animal. Os concentrados encareceram 0,84%, em meio a altas do milho, da soja e do farelo de soja; o COE subiu 2,08% no Rio Grande do Sul e 1,33% em Santa Catarina.
Segundo o levantamento, em agosto foram necessários 23,19 litros de leite para comprar uma saca de milho de 60 quilos, contra 22,54 litros em julho. A piora da relação de troca ilustra a pressão dos insumos sobre as margens. Para os próximos meses, os pesquisadores apontam risco de redução nos preços pagos aos produtores, embora as condições climáticas possam limitar a expansão da oferta.



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